Resposta à epidemia do ébola está a falhar

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A resposta à epidemia de ébola na RCA está a falhar “o objectivo de controlar o surto e a aprofundar o clima de desconfiança” nas comunidades afectadas, denunciou ontem a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

O controlo ao surto de ébola nas regiões afectadas de Katwa e Butembo, na província congolesa do Kivu-Norte, está “a ser tóxico”, a começar pela “crescente militarização”, afirmou a presidente da Organização Não-Governamental Médicos Sem Fronteiras, Joanne Liu, numa conferência de imprensa em Genebra.
Um “cocktail” de factores tem contribuído para esta crescente falta de confiança entre as comunidades, o que resulta na “consequência preocupante” de continuarem a surgir “novos casos de pessoas contaminadas exteriores à cadeia de transmissão”, ou seja, “o surto não está circunscrito” e o ébola “ainda está por cima”.
“No epicentro da epidemia, em Katwa e Butembo, 43 por cento dos pacientes nas últimas três semanas foram infectados sem que fossem conhecidas ligações a outros casos”, reforçou a médica. O ébola infectou até agora 907 pessoas na RDC e matou 569, segundo aquela organização.
“Confrontamo-nos com uma contradição surpreendente: por um lado, temos uma resposta rápida e alargada com novas ferramentas, como vacinas e tratamentos que oferecem resultados prometedores quando as pessoas chegam a estados iniciais da doença, por outro, as pessoas com ébola continuam a morrer nas comunidades e não confiam o suficiente na resposta de combate à doença para se chegarem à frente”, afirmou Joanne Liu.
As autoridades congolesas têm que deixar de tratar o surto como “um caso de ordem pública” e devem abandonar “o aumento da força” na resposta, afirmou a activista.

Fonte: JA/LD

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