Remédio utilizado para tratar problemas de bexiga é associado a casos de demência

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Especialistas advertiram que o uso de uma droga comum para tratar incontinência urinária e bexiga hiperactiva tem colocado em risco de demência milhões de pessoas, segundo informações do Daily Mail. O medicamento, encontrado no Brasil como oxibutinina, ajuda a controlar os espasmos musculares associados à síndrome da bexiga hiperativa, um problema que afecta cerca de seis milhões de pessoas na Europa.

No entanto, novas evidências sugerem que o tratamento oferecido pelo medicamento vem acompanhado de efeitos colaterais graves, como declínio cognitivo e demência. As afirmações, conforme sugere-se, foram feitas com base em experimentos realizados em um período de três anos, em que 54% dos voluntários apresentaram maior propensão para desenvolver problemas de demência dentro de uma década.

Francamente, minha opinião é que esta droga não deve ser prescrita de nenhuma forma”, disse Marcus Drake, professor de Urologia na Universidade de Bristol. “Ela não é bem tolerada, não é tão eficaz e ainda carrega esses riscos”. Ainda segundo ele, outras drogas mais seguras já estão disponíveis no mercado, mas, os médicos por vezes optam pela oxibutinina por ser mais barata.

A oxibutinina faz parte de uma classe de medicamentos que devemos evitar quando se trata de risco de demência”, disse, acrescentando que os médicos deixam de se concentrar na segurança, e apenas consideram no custo e inexistência de problemas em curto prazo.

Os resultados do estudo foram apresentados recentemente em uma conferência da Associação Europeia de Urologia, realizada em Londres. Os pesquisadores alertaram que o medicamento atualmente compõe cerca de 27% de todas as prescrições contra bexiga hiperativa nos EUA, enquanto que na Grã-Bretanha, nos últimos cinco anos foi computado um aumento de 31%.

Os médicos precisam analisar melhor esses níveis de prescrições”, disse Dr. Daniel Pucheril, do hospital Henry Ford, em Detroit (EUA), que conduziu a pesquisa. “Apesar da evidência de efeitos colaterais, os médicos geralmente não verificam os efeitos cognitivos naqueles que usam esses medicamentos”.

De acordo com dados da NHS (sistema de saúde do Reino Unido), a droga é um das mais populares de uma ampla classe de medicamentos chamados anticolinérgicos, que incluem antidepressivos, anti-histamínicos, antipsicóticos e comprimidos para dormir. São conhecidos por terem impactos significativos sobre a cognição, aumentando o risco de problemas de memória.

No entanto, para o professor Drake, a oxibutinina pode ser considerada a mais perigosa entre suas semelhantes, já que pode penetrar mais facilmente no cérebro. Uma vez lá dentro, ela se liga a um receptor que desempenha um papel fundamental no sistema nervoso central mais elevado, podendo reduzir a cognição e produzir efeitos em longo prazo.

Em outro estudo, realizado em 2015 pela Universidade de Washington (EUA), e publicado na revista médica JAMA, pesquisadores analisaram cerca de 3.400 pessoas maiores de 65 anos, e descobriram que 54% delas apresentaram maior propensão para desenvolver problemas de demência após tomarem o anticolinérgico para tratar problemas de bexiga.

 

Dadas as devastadoras consequências da demência, informar os idosos sobre esse risco potencialmente modificável lhes permitiria escolher produtos alternativos”, concluíram os pesquisadores.

Jornalciência/BA

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