Refugiados saídos do Lóvua em situação difícil na RDC

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Os 11.910 refugiados da República Democrática do Congo que até segunda-feira regressaram ao país de origem, no âmbito do repatriamento espontâneo iniciado no dia 10 de Agosto, continuam concentrados em Kalamba Mbuji (RDC) à espera que as autoridades congolesas criem condições para a sua transportação para as áreas de origem.

A preocupação foi avançada terça-feira, no município do Cambulo, província da Lunda-Norte, pelo secretário de Estado para Acção Social, Lúcio do Amaral, no final de um encontro com os membros da Administração Municipal do Cambulo e representantes do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).
“As pessoas estão concentradas no mesmo local e isso faz com que não tenham grandes condições de sobrevivência. As informações que temos é que lhes falta água, alimentação e assistência médica”, disse.
Lúcio do Amaral que, du-rante três dias, constatou, na Lunda-Norte, o processo de repatriamento espontâneo dos refugiados que se encontram abrigados no assentamento do município do Lôvua, informou ainda que as autoridades angolanas discutiram com os representantes do ACNUR medidas para retirar os refugiados no local em que se encontram concentrados, para que sejam transportados às localidades de origem.
O secretário de Estado afirmou que, apesar das dificuldades que existem, o processo de repatriamento es- pontâneo dos refugiados tem sido realizado com a segurança necessária e os resultados são satisfatórios.
Com o aumento para 21 camiões disponibilizados pelo Governo angolano, o processo de transportação dos refugiados do município do Lôvua à fronteira do Tchikolondo (município de Cambulo – Angola) para Kalamba Mbuji (RDC), na província de Cassai Central, tem sido célere, garantiu.
/>Apelo do ACNUR

Em entrevista concedida ao Jornal de Angola, no Dundo, antes da visita do secretário de Estado para Acção Social, o chefe do escritório do ACNUR na Lunda-Norte, Daniel Roger, defendeu que, à semelhança do que fez o Governo angolano, as autoridades congolesas devem criar, o mais urgentemente possível, as condições para a transportação dos refugiados da fronteira de Kalamba Mbuji até às suas aldeias de origem.
Daniel Roger referiu que o ACNUR receia que a concentração de um grande número de pessoas em situação de vulnerabilidade num mesmo local e sem assistência alimentar e médica possa provocar uma crise humanitária.
“Pedimos que se abrande a transportação dos refugiados até à fronteira do Tchikolondo para que as autoridades congolesas criem condições para tirar as pessoas de onde estão concentradas, para se evitar uma eventual crise humanitária”, defendeu Daniel Roger, lembrando que, para o repatriamento espontâneo em curso desde o dia 19 de Agosto, o Governo angolano pediu ao ACNUR que continue a prestar apoio aos refugiados.
Com efeito, sublinhou, a organização não governamental “Médicos del Mundo”, um dos parceiros do ACNUR, tem estado a prestar assistência aos refugiados que estão a regressar de forma espontânea. Revelou que, até ao momento, já foram registadas 700 famílias refugiadas da RDC, o que corresponde a cerca de 2.000 pe-ssoas que pretendem regressar no âmbito do repatriamento organizado.

Fonte: JA/LD

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