Quem é a mulher negra que ajudou a desenvolver o GPS

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Fevereiro é, nos Estados Unidos, o “Black History Month” (mês da história negra, em tradução livre), período em que figuras e eventos relevantes envolvendo pessoas negras – por vezes, subtraídas da historiografia oficial – são lembrados e celebrados.

Em 2018, no contexto da comemoração, a matemática Gladys West tem sido destacada como uma das personalidades negras cuja contribuição ainda não foi suficiente reconhecida. West fez parte da equipe que, durante as décadas de 1950 e 1960, criou o sistema de posicionamento global, o GPS, hoje onipresente em smartphones e veículos.

A matemática nasceu em 1931, em uma pequena cidade no estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Graduou-se em matemática da Universidade Estadual da Virgínia e trabalhou por 42 anos na base naval de Dahlgren. West foi, em meados dos anos 1950, a segunda mulher negra a ser contratada para trabalhar na base.

West coletava dados a respeito de satélites em órbita, com foco nas informações que ajudassem a determinar sua localização exata. Esses dados alimentavam supercomputadores que ocupavam salas inteiras, e West trabalhava nos softwares responsáveis pelo processamento da altura geoidal, distância do objeto em relação a um referencial matemático.

Reconhecimento

Em uma mensagem redigida por ocasião do Black History Month de 2017, o então comandante oficial de Dahlgren tratou do papel fundamental de West em seu trabalho na base.

“Ela cresceu na carreira, trabalhou com posicionamento geodésico [a ciência que mede o tamanho e forma da Terra]e contribuiu para a precisão do GPS e para a medição de dados via satélite”, escreveu o capitão Godfrey Weekes. “Quando Gladys West iniciou sua carreira como matemática em Dahlgren, em 1956, ela provavelmente não tinha ideia do impacto que seu trabalho teria para o mundo nas décadas seguintes.”

Apesar da declaração de Weekes, foi somente em 2018, quando a matemática escreveu uma minibiografia de si mesma a pedido de uma fraternidade estudantil, que seus feitos ganharam projeção. A organização em questão é a Alpha Kappa Alpha Sorority, a primeira do país estabelecida por universitárias afro-americanas.

West passou a ser procurada, no início de fevereiro, por veículos de imprensa. Sites como Upworthy e Afropunk têm repercutido sua trajetória.

Vida pós-aposentadoria

Aposentada da base desde 1998, West se tornou PhD em Filosofia pela Universidade Estadual da Virgínia, mesmo após um derrame que, poucos meses depois de parar de trabalhar, prejudicou sua visão, audição e equilíbrio.

Aos 87 anos, a matemática está escrevendo suas memórias, segundo reportagem da agência Associated Press.

 

TPAcomNEXO/SM

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