Província do Zaire poderá mudar de nome

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O chefe do núcleo das Autoridades Tradicionais da Corte Real do Kongo, Afonso Mendes, 77 anos, sugeriu ontem, em Luanda, ao Presidente João Lourenço a alteração do nome da província do Zaire para Akongo.

Afonso Mendes justifica o pedido de alteração pelo facto de Zaire ter sido um nome atribuído à província pelas autoridades coloniais, o que não faz sentido que prevaleça actualmente.
Em declarações à imprensa no termo da audiência que o Chefe de Estado concedeu, no Palácio da Cidade Alta, a 19 dos 25 membros da corte real de Mbanza Kongo, Afonso Mendes lembrou que a alteração resulta da vontade expressa do povo.
O Presidente da República visitou a província do Zaire, na semana passada, e trabalhou em Mbanza Kongo e Soyo. Em Mbanza Congo, João Lourenço recebeu em audiência o chefe do núcleo das Autoridades Tradicionais da Corte Real do Kongo. Ainda assim, Afonso Mendes entendeu ser necessário vir junto do Chefe de Estado para reforçar os pedidos formulados em Mbanza Congo, pois, disse, “o Zaire continua muito pobre e a juventude sem trabalho, carecendo de mudanças”.
Para Afonso Mendes, era necessário reforçar junto do Chefe de Estado a necessidade de cumprir o que prometeu. Entre as promessas, disse, consta a construção de infra-estruturas e equipamentos sociais como o novo aeroporto e a conclusão do Hospital Central do Zaire, entre outros.
Relativamente à energia, o Zaire passa a beneficiar de electricidade do Ciclo Combinado do Soyo, numa altura em que os municípios do Nzeto, Mbanza Kongo e Kuimba estão prestes a ver o problema resolvido com a reabilitação dos respectivos sistemas, à semelhança do que deve ocorrer com as subestações do Nóqui e do Tomboco.
Ainda assim, as autoridades tradicionais solicitaram mais potência para a subestação do Nóqui.

Durante o encontro, Afonso Mendes disse ter agradecido a visita do Presidente à província, onde ouviu as inquietações de toda a sociedade civil, juventude e antigos combatentes, ocasião que permitiu abordar, igualmente, aspectos relacionados com a vida socioeconómica do Zaire, mas também de todo o país.

Situação da seca
Durante o encontro do Presidente com os 19 membros da corte real, esteve em pauta, entre outros aspectos, o problema da seca. Em relação à questão, Afonso Mendes disse ser fundamental que o país continue a mobilizar-se para a solidariedade, considerando também importante reflectir que “os nossos irmão não vivam apenas de cestas básicas vindas de boa caridade”.
Segundo o chefe da Corte Real do Kongo, é urgente que a população afectada pela seca, no sul do país, volte a ter acesso aos seus alimentos naturais, que em muitos casos assumem a função de medicamentos. “Temos de evocar e pedir aos ancestrais e a Deus que esta situação mude. Os nossos irmãos não podem continuar a depender decomida da cesta básica”, apelou.
Afonso Mendes lamentou o facto de a província do Zaitre continuar sem desenvolvimento, embora alguns problemas estejam a ser resolvidos, como o caso da energia eléctrica, o sistema de tratamento e distribuição de água a ser concluído em breve. “A província está com grande problema no seio da juventude, pois falta-lhes trabalho, entre outras questões. Não há nada de desenvolvimento no Zaire”, lamentou.
O Zaire, composto por seis municípios, tem registado o drama de abandono de aldeias inteiras, quer devido à intransitabilidade que se instalou há alguns anos, quer por carências de vária ordem.

Fonte: JA/LD

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