Petróleo: Menos produção em 2019 para aumentar preço do barril

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Os 25 membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e não-membros, incluindo a Rússia, que, no início de 2017, juntaram esforços para fazer sair o barril de crude de preços historicamente baixos, voltam, a partir de hoje, a unir forças para parar a descida do valor do petróleo nos mercados internacionais e, se possível, fazer com que os 70/80 USD por barril deixem de ser uma miragem.

Em Novembro último, os países da OPEP e os não-membros, denominando-se esta agremiação como OPEP+, reuniram com urgência em Viena de Áustria para lidar com uma emergência em curso: o preço do petróleo estava, de novo, a evaporar-se e as economias petrodependentes assistiam a novo pânico, mesmo que mais controlado que o que se viveu no arranque de 2016, quando o barril de Brent (Londres) desceu abaixo dos 29 USD.

Se em finais de 2016, para ser efectivado a 01 de Janeiro de 2017, a OPEP+ decidiu cortar 1,8 milhões de barris por dia (mbpd), na reunião de 06 de Novembro, a fasquia foi colocada nos 1,2 mbpd, que começam a ser retirados dos mercados hoje.
Com menos crude disponível, o efeito, mesmo que ainda seja cedo para erguer cenários em perspectiva, já começou a fazer-se sentir, com o barril de Brent londrino a ser vendido na segunda-feira – horas antes dos cortes serem formalmente iniciados – a quase 54 USD.

Recorde-se que o ano passado terminou com o valor do barril mais baixo desde 2015, o que, de facto, levou a Arábia Saudita e a Rússia a retrocederem na sua estratégia de aumento da produção para alimentar os desejos de crude barato do Presidente norte-americano, Donald Trump, que, com a sua forte pressão sobre os sauditas, levou, em meados de 2018, Riade a bombar em força, a ponto de encharcar os mercados que, de imediato, reagiram com fortes quebras no preço do barril.

Em números, essa estratégia errada – na perspectiva dos produtores de crude – resultou numa passagem de 85 dólares em Setembro do ano passado para os 50 USD que se mantiveram, sem grandes oscilações, nos últimos dois meses do ano, o que consubstanciou uma pesada “oferta” de Riade aos seus sócios da OPEP, como Angola, cujas economias são ainda dependentes das exportações da matéria-prima.

Os sinais, para já, são animadores, e alguns analistas admitem mesmo que em semanas o barril de Brent pode voltar aos 70 USD, como é o caso de Tim Daiss, do site Oil.Price (https://oilprice.com/Energy/Crude-Oil/70-Oil-Could-Be-Right-Around-The-Corner.html).

Na prática, com este corte na produção para reconquistar o “equilíbrio” nos mercados, Angola deverá retirar cerca de 50 mil barris à sua produção média diário em torno dos 1,45/1,50 mbpd.
Estes cortes vão manter-se, pelo menos, até Junho/Julho, estando previsto um novo encontro alargado da OPEP+ algures neste espaço temporal para analisar os resultados desta medida e agir em conformidade com essa análise, não estando afastada a possibilidade de acrescentar barris aos cortes que hoje começam a ser feitos para esmagar o excesso de oferta que é evidente, fazendo lembrar o ano de 2016, onde o mundo tinha disponível quase 1,5 mbpd para lá das suas necessidades, gerando acumulações gigantescas nas grandes economias mundiais, como a dos EUA e da China.

E foi esse excesso de produção que levou à dramática derrocada do preço do barril entre meados de 2014 e finais de 2016 e, concomitantemente, à crise económica e financeira de que Angola – entre outros países petrodependentes – só agora começa a ver-se livre, embora com muitas dúvidas ainda pelo meio.

Dúvidas essas que, segundo o PCA da Sonangol, Carlos Saturnino, poderão ser diluídas com o barril a valer entre os 60 e os 70 USD.

Isso mesmo foi dito por Saturnino durante a visita do secretário-geral da OPEP, Mohammad Barkindo, em Dezembro, a Luanda, a começar pela satisfação das petrolíferas que operam em Angola e que são essenciais para extrair o crude exportado pelo país, que é ainda 95 por cento do total das suas vendas para o exterior.

Fonte: NJ / EB

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