País espera poupar USD 6 mil milhões em negociação da dívida

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Angola espera poupar seis mil milhões de dólares, até Junho de 2023, em negociações da dívida pública com credores dentro e fora do G20, revelou hoje a ministra das Finanças, Vera Daves.

Em Julho, a ministra estimou que o stock da dívida pública angolana atingiria valores na ordem dos 66 mil milhões de dólares até ao final de2020, com um rácio sobre o PIB a situar-se acima dos 100%. Hoje, a responsável precisou um stock da dívida de cerca de 123% sobre o PIB até final do ano.

Vera Daves, que falava numa conferência de imprensa encabeçada pelo ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Júnior, reconheceu a solidariedade dos parceiros multilaterais e bilaterais que observando a pressão e consequências da pandemia sobre a economia angolana consentiram negociar um processo de reformulação da dívida pública, que permitirá ao país poupar USD 6 mil milhões até 2023.

“Com essas poupanças contam não só continuar a honrar o serviço da dívida, mas também ter aqui essa ajuda para as medidas de prevenção e combate à covid-19 e permitir que o Estado esteja em melhores condições de continuar a financiar os projectos de inclusão social”, disse a titular da pasta das Finanças.

Embora haja essa solidariedade dos credores para renegociar a dívida pública, a governante disse que não se deve ficar “entusiasmado, nem eufórico”, mas continuar-se com o compromisso de consolidação fiscal, pois a situação das contas públicas continua delicada.

Afirmou que o compromisso com a consolidação fiscal deverá manter-se pela via do alargamento da base tributária para se ter mais receitas, pela via da qualidade da despesa e pela via do endividamento responsável para reduzir o stock da dívida pública que deverá atingir cerca de 123% do PIB até final do ano.

De acordo com a ministra, a dívida pública de Angola é sustentável, uma afirmação já proferida, em Dezembro de 2018, pela directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagard, estimando, na altura, que essa ascenderia os 70% do PIB.

“A dívida pública de Angola é sustentável apesar de continuar sujeita a grandes pressões, afirmou, realçando que continuar-se-á a desenvolver medidas de consolidação fiscal para que a sustentabilidade seja ainda mais forte e que os sinais dela tragam tranquilidade a médio e longo prazo.

A respeito do momento difícil que a economia angolana atravessa, Vera Daves reconheceu o esforço das famílias e empresas considerando-as resilientes.

A conferência de imprensa, que contou com a presença o ministro do Planeamento e da Economia, Sérgio Santos, e do governador do Banco Nacional de Angola (BNA), Massano Júnior, foi realizada na senda da terceira revisão do Programa de Financiamento Ampliado (EFF) do FMI, ocorrida na última quarta-feira (16), em Luanda.

A reunião Governo de Angola-FMI culminou com a aprovação (quarta-feira) do aumento da assistência financeira para USD 4,5 mil milhões e o desembolso imediato de mil milhões de dólares.

Fonte: Angop

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