Navio de pesquisa científica encalhado na Ilha de Luanda

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Três meses depois de ter chegado ao país, o navio oceano-gráfico de investigação científica, que custou aos cofres públicos cerca de 80 milhões de dólares, apresenta problemas técnicos que podem ditar o seu regresso à Roménia, onde foi fabricado, para trabalhos de correcção, disse ao Jornal de Angola uma fonte do Ministério das Pescas.

Sem avançar pormenores, a fonte que pediu para não ser identificada, disse que a superação dos problemas encontrados no navio vão, “provavelmente”, exigir o seu regresso aos estaleiros da empresa holandesa “Damen” na Roménia.
Outra hipótese em cima da mesa, de acordo com a fonte, é a vinda de técnicos da “Damen” a Angola para, localmente, encontrarem uma solução para o problema, mas sem nunca excluir a hipótese do retorno da embarcação à Roménia, se o grau de dificuldades a isso exigir.
Sobre o assunto, o director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do Ministério das Pescas, Celestino Gonçalves, remeteu para os próximos dias o pronunciamento da instituição.
“Há um técnico a trabalhar no assunto e a ministra promete falar nos próximos dias”, disse Celestino Gonçalves, ante a insistência do Jornal de Angola em obter informações detalhadas sobre a real situação do navio.
Baptizado por “Baía Farta”, em homenagem a uma das principais áreas piscatórias do país, localizada na província de Benguela, o navio, cujo processo de construção data de 2016, chegou a Angola a 12 de De-zembro do ano passado, tendo sido apresentado à imprensa, dias depois.
É a primeira embarcação do género adquirida por Angola. À véspera da sua chegada, a então ministra das Pescas e do Mar, Victória de Barros Neto, afirmou tratar-se de um navio ” com grandes valências na investigação científica”.
Contrariamente a África do Sul e Namíbia, que partilham a Corrente Fria de Benguela com Angola, o país nunca teve um navio próprio de investigação científica, o que o colocava sob dependência de terceiros, nomeadamente a Organização da Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e a Noruega.
Do navio Baía Farta esperava-se uma espécie de “revolução” no sector das Pescas, num país com uma faixa costeira com 1.650 quilómetros.
Com 74 metros de comprimento o navio Baía Frata dispõe de uma sala acústica, quatro laboratórios, um ginásio, camarotes duplos, cozinha, área de serviço com 15 monitores de comando e três computadores para o comando do ecosonda (aparelho electrónico utilizado geralmente na navegação naval para medir a distância entre a superfície da água e o fundo marinho), cada um dos quais desenvolve trabalhos diferentes.
O funcionário do Ministério das Pescas que prestou a informação ao Jornal de Angola admitiu que, se forem graves, os problemas técnicos detectados no navio podem relançar a controvérsia que se levantou por altura do lançamento do concurso público para a sua aquisição. Lançado em Se-tembro de 2013, o concurso público nº1/ Minpescas/ 2013, destinado a aquisição do navio, suscitou polémica quando a escolha recaiu para a empresa holandesa Damen, cuja proposta de orçamento, entre as quatro apresentadas, era a mais alta.
Além da Damen, que apresentou um orçamento no valor 85.9 milhões dólares, três outras empresas fizeram-se ao concurso com propostas relativamente baixas. A também fabricante de navios Zama apresentou um orçamento no valor de 63, 5 mi-lhões dólares. A Freire, outra concorrente, dispunha-se a fazer o trabalho por 67,5 mi-lhões de dólares. O orçamento mais baixio (63,4 milhões de dólares) foi apresentado pela Armom.

Fonte: JA/LD

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Sobre o autor

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Eliseu Augusto Botelho é jornalista da Televisão Pública de Angola desde Dezembro e 1999. Foi editor do 1º Jornal e do Jornal Nacional, ambos na TPA2 e Coordenador do Jornal da Tarde e co-coordenador do Telejornal, ambos na TPA1. Já foi chefe de redacção do Centro de Produção da TPA em Caxito-Bengo. Actualmente exerce a função de jornalista na Direcção de Multimédia da TPA, cuja tarefa é gerir os conteúdos publicados nas várias páginas do facebook da estação e no seu site oficial. Tem o curso médio de Jornalismo do IMEL e várias formações em Angola e Portugal com professroes, Angolanos, Brasileiros e Portugueses. É licenciado em Relações Internacionais, pelo Instituto Superior de Relações Internacionais, afecto ao Ministério das Relações Exteriores da República de Angola.

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