Muzonguê da Tradição volta ao Kilamba

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Dois dos melhores agrupamentos da praça musical angolana têm um duelo marcado para este domingo, no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda, na abertura da programação anual do Muzonguê da Tradição.

Com início marcado para às 11h00, o convívio tem a particularidade de levar as centenas de fãs dos dois agrupamentos a um reencontro com o passado da música angolana.
De acordo com o responsável do espaço, Estêvão Costa, que avançou a informação à Angop, a intenção é levar o público a relembrar as principais figuras que deram peso aos dois agrupamentos e às suas canções, tendo em conta o sucesso alcançado ao longo dos anos.
“São dois conjuntos de referência no mercado musical nacional e que têm um legado bastante rico que deve ser ouvido sempre. Portanto, dentro da sua programação, o Kilamba traz de volta ao seu palco os dois para satisfazer a inúmera legião de fãs”, asseverou.
O responsável adiantou que o programa vai ter ainda como convidados especiais os artistas Augusto Chacaya, Didi da Mãe Preta, Proletário e Tony do Fumo Filho.

Percurso dos Jovitos

O grupo foi fundado em 1966 por jovens residentes na comuna do Prenda, tendo como base instrumentos tradicionais de percussão e um violino. Até à data da Independência Nacional, em 1975, tornou-se num dos conjuntos mais populares de Angola.
O grupo lançou o seu primeiro trabalho discográfico em 1982, intitulado “Mutudi” (viúva), o segundo em 1992, “Samba-Samba” e o terceiro “Kudicola Kwetu”, em 2003.
Entre os precursores da banda, destaca-se Very Nice (tamborista) e António do Fumo (vocalista), ambos já falecidos, Zé Keno (guitarrista), Cangongo (viola-baixo) e Chico Montenegro, ainda no grupo.
Actualmente, a banda é constituída por Luís (tambor), João Dialoba (baterista), Sérgio (viola solo), Eurico (teclado), Niziga e Zinho Santos (vocalistas), Benjamim (baixo) e Tetelo (viola ritmo).
Até à Independência, os “Jovitos” editaram pelo menos dez singles e vários discos de vinil (Long play). Após uma paralisação que durou de 1975 a 17 de Outubro de 1981, reapareceu como uma orquestra com 12 integrantes.

Paixão pelos ritmos

Os Kiezos,  grupo formado na década de 60 por jovens oriundos de famílias humildes, animaram inicialmente festas de bairros, onde se notabilizou, granjeando o reconhecimento nacional. Motivado por uma paixão pelos ritmos nacionais, a sua música integrou, muitas vezes, influências de estilos musicais de artistas congoleses e latino-americanos, entre outros.
Absorveram igualmente linhas melódicas de agrupamentos nacionais como os Negoleiros do Ritmo, Musangola e os Gingas. Apesar dessas influências, a banda não perdeu a sua originalidade em termos de ritmos, que o tornaram num dos maiores executantes da música popular urbana de Angola.
Ao longo do seu percurso, Os Kiezos foram autores de músicas como “Milhoró”, “Comboio”, “Princesa Rita”, “Zá Boba”, “Monami”, “Jingololo” e “Tristezas não Pagam Dívidas”, temas que marcaram a vida de angolanos nas décadas de 70 e 80.
Com 35 anos (1976) de carreira, o grupo teve como expoentes máximos o percussionista António Miguel da Silva (Kituxi), o vocalista Adolfo Coelho e o guitarrista Anselmo de Sousa Arcanjo (Marito). Este último foi considerado um dos mais talentosos solistas do cancioneiro angolano dos anos 70 e 80, na mesma época em que pontificava ainda o guitarrista Zé Keno, de “Os Jovens do Prenda”.
O Muzonguê da Tradição é um programa que teve o seu início em Fevereiro de 2007 e visa a promoção, divulgação e valorização da música angolana produzida nos anos 60, 70 e 80. O agrupamento Jovens do Prenda e os artistas Zecax, Dom Caetano e Proletário foram os primeiros convidados. O programa acontece mensalmente no primeiro domingo de cada mês.
A iniciativa faz parte da grelha de programas do Centro Recreativo e Cultural Kilamba, antigo Maria das Escrequenhas, que tem ainda “Farra do Antigamente” e “Show à Sexta-Feira”.

Fonte: JA/BA

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