Mulher de Liu Xiaobo diz que cancro do Nobel da Paz é inoperável

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Ye Du, um amigo da família, confirmou a autenticidade, em declarações publicadas hoje pelo jornal South China Morning Post, detalhando que o vídeo foi gravado nos últimos dois dias.

Sem conter as lágrimas, Liu Xia sugeriu que serão inúteis tratamentos médicos como quimioterapia ou radioterapia, durante o vídeo, de apenas dez segundos, posto a circular através da rede de mensagens instantânea Twitter, na noite de segunda-feira.

Condenado em 2009 a uma pena de 11 anos de cadeia por subversão, Liu Xiaobo, de 61 anos, foi libertado após lhe ter sido diagnosticado, no mês passado, um cancro no fígado em fase terminal, anunciou, na segunda-feira, o advogado Mo Shaoping.

As autoridades penitenciárias confirmaram a saída em liberdade condicional, indicando que Liu Xiaobo estava a ser tratado por “uma equipa de oito oncologistas reputados” num hospital universitário de Shenyang, na província de Liaoning, no nordeste da China.

Liu Xia, que foi colocada em prisão domiciliária em 2010, depois da atribuição do Nobel ao marido, embora nunca tenha sido acusada de qualquer crime, encontra-se em Shenyang e possivelmente já no hospital junto do marido, disse Shang Baojun, outro dos advogados de Liu, à agência noticiosa espanhola Efe.

Não são claras as condições da liberdade condicional atribuída a Liu Xiaobo. A Fundação Dui Hua, com sede nos Estados Unidos, advertiu, em comunicado, que Liu Xiaobo não é um homem livre, explicando que, à luz da lei, o indivíduo a quem foi concedida liberdade condicional por razões médicas continua sob controlo das autoridades e que o período de internamento hospital vai ser deduzido.

“É provável que Liu Xiaobo esteja a ser vigiado por guardas armados”, acrescentou a fundação.

Símbolo da luta pela democracia na China, Liu Xiaobo foi condenado depois de ter sido um dos promotores da chamada “Carta 08”, um manifesto a favor da introdução de reformas políticas democráticas e do respeito pelos direitos humanos no país, subscrito inicialmente por mais de 300 intelectuais, inspirado na “Carta 77” lançada por Vaclav Havel na antiga Checoslováquia socialista.

Professor de Literatura na Universidade de Pequim, escreveu sobre a sociedade e a cultura chinesas, centrando-se na democracia e nos direitos humanos e era influente no meio intelectual.

Liu foi um dos animadores do movimento estudantil pró-democracia da Praça Tiananmen, em 1989, tendo estado preso durante 21 meses após a violenta repressão dos protestos.

Em 1996, foi condenado a três anos de “reeducação através do trabalho”, em resultado de mais ações de luta pelos direitos fundamentais.

Foi novamente detido a 08 de dezembro de 2008, dois dias antes da publicação, por ocasião do 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da “Carta 08”, embora a data formal da detenção tenha sido 23 de junho de 2009, por suspeita de “alegadas ações de agitação destinadas a subverter o Governo e derrubar o sistema socialista”.

Em 09 de dezembro de 2009 foi oficialmente acusado de “incitar à subversão do poder do Estado” e a 25 do mesmo mês, após um julgamento que não cumpriu os padrões processuais internacionais mínimos, foi condenado a 11 anos de cadeia.

A Academia Nobel atribuiu-lhe em 08 de outubro de 2010 o galardão da Paz, em reconhecimento da “longa e não-violenta luta pelos direitos humanos fundamentais na China”.

Fonte: Notícias ao minuto/BA

 

 

 

 

 

 

 

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