Melania Trump promove programas sociais em África

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No caso de Melania Trump, não tanto por ela mas mais pelo marido, as atenções redobram até para se ver até que ponto as suas previsíveis declarações se enquadram, ou não, naquela que tem sido a postura habitual do Presidente em relação ao continente africano.
Oficialmente, a missão da primeira-dama é promover os programas que a Usaid, uma organização humanitária oficial dos Estados Unidos para a promoção da ajuda internacional, tem no continente africano, mas todos sabemos que a política costuma acompanhar bem de perto este tipo de iniciativas.
Talvez por isso, os organizadores do périplo incluíram na agenda de Melania Trump escala no Ghana, primeira etapa, seguida do Quénia, Malawi e Egipto, todos eles estreitos aliados com os quais os Estados Unidos contam para o que der e vier.
Ainda nos Estados Unidos, antes de iniciar a viagem, a senhora Trump teve a oportunidade de dizer que estava “ansiosa por visitar quatro magníficos países, que vivem realidades bem diferentes mas amplamente positivas.”
A imprensa norte-americana, sempre atenta às declarações de qualquer membro da família Trump, viu nestas palavras uma “intenção de rectificar a má imagem que o presidente tem em quase todo o continente africano.”
Para tentar acalmar o entusiasmo – e reduzir a polémica – que habitualmente acompanham as declarações de Melania Trump, a sua directora de Comunicações, Stephanie Grisham, viu-se na obrigação de sublinhar que a primeira-dama quando falava em “realidades diferentes” estava a querer dizer “países que têm a sua cultura própria.”

Objectivos declarados
Independentemente do que quis ou não dizer quando se referia a “realidades diferentes”, o que Melania Trump disse mesmo foi que já tinha falado ao telefone com a primeira-dama do Ghana, Rebecca Akufo-Addo, e que tinha obtido dela a garantia de que iriam trabalhar juntas para promover a qualidade dos serviços de atendimento médico às mães e aos recém-nascidos, além da melhoria da nutrição infantil.
No Malawi, o objectivo assumido pela senhora Trump é entender a melhor forma de a Usaid continuar a trabalhar na promoção da educação infantil, enquanto no Quénia a intenção passa por reforçar a ajuda no combate ao HIV e à conservação do meio ambiente.
No Egipto, segundo as próprias palavras da primeira-dama, as atenções vão centrar-se na melhoria do meio ambiente e, sobretudo, na promoção das minorias religiosas e dos direitos das mulheres, além da ajuda sanitária às populações que vivem longe das grandes cidades.
Esta é, digamos assim, a agenda oficial apresentada como justificação para a visita de Melania Trump àqueles quatro países africanos, mas, Donald Trump, em mais um dos seus famosos postes no Twitter, deu o “toque” político que a viagem também encerra.
Segundo ele, o casal Trump “adora África, um continente magnífico. África é dos locais mais bonitos do mundo, apesar de tudo.”
Este “apesar de tudo” é por muito boa gente atribuído a uma referência à polémica em que Donald Trump se envolveu em Fevereiro, quando no meio de uma discussão privada terá proferido declarações racistas a propósito das políticas africanas em termos de imigração.
Na altura, a União Africana exigiu que ele se desculpasse, mas a verdade é que Trump apenas se limitou a dizer que não era racista, acrescentando numa entrevista que era a “pessoa menos racista” que a jornalista alguma vez havia encontrado.
Seja como for, parece claro que Donald Trump nunca prestou até agora muita atenção ao continente africano, embora já tenha recebido na Casa Branca os presidentes do Egipto, Nigéria e Quénia e aprovasse o envio de drones para uma base americana no Níger para serem usados pela CIA em operações contra o terrorismo que assola a região.
O que falta saber é se Melania terá a capacidade suficiente para conseguir que o Presidente dos Estados Unidos olhe para África como um continente não só como dos mais bonitos do mundo, mas também como um interlocutor para o estabelecimento de parcerias económicas mutuamente vantajosas e com base no respeito.

Fonte: JA/BA

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