Médico advoga combate às doenças tropicais negligenciadas

0

O director do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT) de Portugal, Filomeno Fortes, apontou, nesta segunda-feira, em Luanda, a promoção de investigações para combater as doenças tropicais negligenciadas como uma das prioridades da instituição.

Para a concretização do objectivo traçado, Filomeno Fortes disse ser necessária uma equipa de especialistas com conhecimentos técnicos, clínicos e laboratoriais.

Num acto em sua homenagem, promovido pela Universidade Privada de Angola (UPRA), Filomeno Fortes afirmou, igualmente, que IHMT tem na sua lista de prioridades políticas públicas e a formação de quadros em saúde pública, com base no foco da instituição.

Segundo o especialista, doenças negligenciadas ou doenças tropicais negligenciadas é um conjunto de diversas patologias infecciosas e endémicas que afectam 149 países e mais de mil milhões de pessoas.

Estas doenças, informou, afectam, principalmente, as populações de África, Ásia e América Latina que vivem em condições de pobreza, sem acesso ao saneamento básico e que estão em contacto com diversos vectores, animais domésticos e culturas pecuárias.

Constam da lista das doenças tropiciais neglicenciadas: a filaríase linfática, oncocercose, esquistossomose, helmintos transmitidos pelo solo e tracom.

A Organização Mundial da Saúde estabeleceu uma meta de eliminação de, pelo menos, uma doença tropical negligenciada em 30 países adicionais, até 2023.

Problemática da investigação

Na ocasião, o secretário de Estado do Ensino Superior, Eugénio Silva, afirmou que a problemática  da investigação científica em Angola relaciona-se com à falta de iniciativa dos promotores e não por falta de recursos financeiros.

Ao manifestar satisfação pela recente eleição do médico angolano, Filomeno Fortes  como director do IHMT, enfatizou que os investigadores, cientistas e  membros das equipas de investigação das universidades e dos ministérios devem justificar a necessidade deste financiamento com a elaboração e apresentação de projectos.

Quanto à fuga de quadros, defendeu o apetrechamento dos laboratórios e centros de investigação, assim como à criação de condições para que se possa fazer a investigação científica dentro dos padrões exigidos a nível internacional.

Para o reitor da UPRA, Carlos Alberto, a eleição do especialista Filomeno Fortes é uma mais-valia para o país e o instituito (IHMT).

Destacou, igualmente, o mérito de Filomeno Fortes como professor, médico e investigador.

Percurso profissional de F. Fortes

Especialista em malária e doenças tropicais, Filomeno Fortes é o primeiro estrangeiro a assumir a direcção do IHMT. Esta instituição coordena todos os programas de saúde a nível da CPLP. Angola assumirá, em 2020, a presidência rotativa.

Na apresentação pública da sua proposta de acção para o período de 2019-2023, Filomeno Fortes defendeu o reforço do prestígio nacional e internacional do IHMT, bem como parcerias com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP)

O médico angolano foi eleito por unanimidade a 31 de Julho último, após um concurso internacional. É doutorado em Ciências Biomédicas e coordenador do doutoramento em Ciências Biomédicas da Universidade Agostinho Neto, em Angola.

Exerceu, igualmente, o cargo de secretário-geral da Federação Internacional das Doenças Tropicais.

Criado a 24 de Abril de 1902, com a denominação de Escola de Medicina Tropical, o IHMT esteve vocacionado ao estudo, ensino e clínica das doenças tropicais. Esta actuação evoluiu para uma abordagem integrada, que vai desde o nível molecular aos sistemas globais de saúde, com um forte empenho na resolução de problemas de saúde, em todos os continentes.

Fonte: ANGOP/BA

Share.

Deixar uma opinião

%d bloggers like this: