Malária lidera registo de casos no Sambizanga

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A aglomeração de doentes e a demora no atendimento constam das principais reclamações dos pacientes e familiares que acorrem aos centros de saúde do Sambizanga e do Bairro Operário, cuja média diária de registo de malária e doenças respiratórias nas urgências, segundo apurou o Jornal de Angola, ronda entre 240 a 300 pacientes.

Pacientes em manifesta dificuldade para se manter em pé e demonstração de calafrios são comuns nos corredores e salas de espera dos dois centros. As enchentes começam a ser desenhadas às primeiras horas do dia. A meio do período da manhã, os bancos de urgências e as salas de consultas externas revelam a desproporção entre a procura pelos serviços e a capacidade de atendimento.

No Centro de Saúde do Bairro Operário, por exemplo, Mariana Ventura queixava-se do tempo de espera para ser atendida e a forma como os pacientes eram tratados.

“A pessoa só vem aqui por falta de alternativa, não temos outros hospitais do género no bairro. Aqui, as pessoas são abandalhadas e maltratadas, não há o mínimo respeito pela vida humana. Já não sei o que fazer”, desabafou Mariana Ventura, salientado que as enfermeiras passam, olham para o doente, e apenas pedem para aguardar.

Durante a permanência no local, o Jornal de Angola acompanhou, igualmente, a aflição de Gabriel Lopes, que aguardou mais de duas horas até a filha receber assistência médica.

“Aplicaram-lhe um balão de soro, mas mesmo assim estou com receio porque ela não dá sinais de melhorias”, disse.

No conjunto de queixas manifestadas pelos pacientes do Centro de Saúde do Bairro Operário, a demora no atendimento tem sido, de facto, das principais. Vezes há, que os pacientes sujeitam-se em aguardar sentados no chão, porque a infra-estrutura não dispõe de assentos em número suficiente. Junta-se a escassez medicamentos, que obriga os seus familiares a compra-lo nas farmácias próximas ao centro.

Situação quase idêntica acontece no Centro de Saúde do Sambizanga. Familiares e doentes, tal como aconteceu com Celestina Mabiala, que acompanhou a sobrinha ao centro, até que sejam atendidos, enfrentam longas horas de espera e momentos de angústia.

“Estou há duas horas no vai e vem. Mandaram fazer análise de gota espessa fora do hospital, porque aqui não estão a fazer. Trouxemos o resultado e agora a médica em serviço diz que exames feitos fora do centro não servem. Por esta razão, ainda não fui atendida, mas a criança está a fazer muita febre”, lamentou.

Residente no bairro Cuba, Celestina Mabiala explicou que, recentemente, a sua sobrinha havia sido diagnosticada com malária. Feito tratamento, foi dada como curada. Porém, disse não compreender a razão da mesma continuar a manifestar febre alta, particularmente no período nocturno.

Infra-estruturas inadequadas

A chefe da Repartição de Saúde do Sambizanga, Margarida Pires, reconheceu que o distrito carece de infra-estruturas adequadas, ambulância, recursos humanos, fármacos, reagentes, materiais gastáveis, equipamento informático, entre outros. Por outro lado, anunciou que o Centro de Saúde do Sambizanga beneficia de obras de reabilitação e ampliação.

“Com a conclusão das obras pensamos adicionar os serviços de RX e sala de parto, com vista melhorar a qualidade no atendimento e dar maior dignidade aos profissionais”, disse, Margarida Pires, realçando o empenho no projecto de fortalecimento do sistema da saúde.

A gestora de saúde no Sambizanga explicou que os dois centros prestam serviços de cuidados primários, desde medicina geral, pediatria, consulta pré-natal, testagem voluntária de HIV-Sida, planeamento familiar, vacinação, banco de urgência, farmácia entre outros.

“Antes da efectivação da nova divisão administrativa, o Sambizanga, enquanto município, contava com sete unidades sanitárias, nomeadamente, o Hospital Municipal, os centros de saúde do Sambizanga, Bairro Operário, Ngola Kiluanje, Agostinho Neto, São Pedro da Barra e Materno Infantil”, recordou.

Aquando da primeira divisão administrativa,em 2011, Margarida Pires fez saber que o distrito “perdeu” o Hospital Municipal do Sambizanga, o Centro de Saúde do Ngola Kiluanje e o Materno Infantil António Agostinho Neto para o município do Cazenga. Como consequência da mesma divisão, acrescentou, o até então munícipio da província de Luanda perdeu ainda o Centro do São Pedro da Barra, para o distrito do Ngola kiluanje, ficando apenas com os centros de saúde do Sambizanga e do Bairro Operário.

Risco de desabamento
Construído durante o período colonial, o edifício onde funciona o Centro de Saúde do Sambizanga apresenta inúmeras infiltrações no tecto e nas paredes do banco de urgência, colocando-o em risco iminente de desabamento.

Para agravar, o sistema de esgotos está inoperante e o fornecimento de energia eléctrica é deficiente.

Apesar das obras de reabilitação feitas de modo parcial, as autoridades de saúde do distrito do Sambizanga não escondem a preocupação com o estado de degradação da infra-estrutura e, por isso, pedem a intervenção urgente das entidades superiores.

O administrador do Centro de Saúde do?Sambizanga Raul Sala Lukunga, disse que as paredes se mantêm intactas, mas a degradação da cobertura tem facilitado a infiltração da água e provocado vários danos.

“Estamos a falar de uma estrutura construída na década de 50 e que foi alvo de uma reabilitação que, infelizmente, não ficou concluída. Fizemos há dois anos alguns trabalhos paliativos que não resultaram”, disse.

Fonte: JA/LD

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