Malanje e Huambo vão ser declaradas livres de minas terrestres

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Minas e artefactos explosivos, em breve poderão ser uma miragem em duas províncias angolanas, Huambo e Malange. O chefe de intercâmbio e cooperação da Comissão Nacional Intersetorial de Desminagem e Assistência Humanitária (CNIDAH) espera que se possa anunciar, oficialmente, a notícia dentro de três meses, o mais tardar, quando o consenso entre os operadores ficar expresso. Para o CNIDAH já não existem zonas de minas conhecidas nas duas regiões.

“Em breve vamos poder declarar a província de Malanje e do Huambo também livres de áreas de minas conhecidas. Pensamos que, no máximo dentro de três meses, vamos dar o trabalho como terminado”, explicou à Euronews, Adriano Gonçalves.

Uma nota positiva no Dia Internacional de Consciencialização do Perigo das Minas Terrestres e também no Dia da Paz em que o país celebra os 17 anos do final da guerra. Mas há sombras, nos últimos tempos a torneira do financiamento quase se fechou e houve mesmo algumas operadoras que estiveram a ponto de deixar o país. Hoje, o ambiente é de maior otimismo, especialmente entre as instituições que trabalham no terreno. Do lado do CNIDAH, o ceticismo é maior.

Adriano Gonçalves admite que o horizonte seja mais risonho, com os doadores internacionais mais dispostos a ajudar no trabalho de desminagem. Mas, salienta, que os últimos anos foram penosos: “Nós continuamos a trabalhar, a fazer alguma desminagem, mas num nível muito mais básico em relação aos anos anteriores”, relembrou.

Em causa está o objetivo de livrar o país de minas até 2025, conforme o Tratado de Otava: “Se quisermos cumprir com este objetivo, teremos que ter cerca de 300 milhões de dólares (266 milhões de euros), para limparmos estas áreas, que são 1220 áreas”, frisou.

Para além das vítimas, que estão estimadas entre 60 e 90 mil, (entre estimativas dos operadores e da CNIDAH) e algumas ONG’s como a Maginternational dizem ainda existir incidentes todas as semanas, os artefactos explosivos impedem o desenvolvimento da economia e da tão ambicionada diversificação.

Quem está no terreno conta como é o cenário de desminagem em Angola: “É uma história de um conflito muito complexo, Foi uma guerra que durou 27 anos, em que lutaram várias fações. Existem artefactos muito diversos, encontramos minas de mais de 24 países. São vários mecanismos diferentes aqueles que encontramos. Angola pode ser um dos cenários mais difíceis para se trabalhar em desminagem”, diz Ralph Legg, gestor de programa da The Halo Trust, uma das maiores operadoras de desminagem em Angola.

Estima-se que no país existam ainda 105 km² de terrenos contaminados, uma área superior ao tamanho da cidade de Lisboa.

Fonte: Euronews/LD

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Sobre o autor

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Eliseu Augusto Botelho é jornalista da Televisão Pública de Angola desde Dezembro e 1999. Foi editor do 1º Jornal e do Jornal Nacional, ambos na TPA2 e Coordenador do Jornal da Tarde e co-coordenador do Telejornal, ambos na TPA1. Já foi chefe de redacção do Centro de Produção da TPA em Caxito-Bengo. Actualmente exerce a função de jornalista na Direcção de Multimédia da TPA, cuja tarefa é gerir os conteúdos publicados nas várias páginas do facebook da estação e no seu site oficial. Tem o curso médio de Jornalismo do IMEL e várias formações em Angola e Portugal com professroes, Angolanos, Brasileiros e Portugueses. É licenciado em Relações Internacionais, pelo Instituto Superior de Relações Internacionais, afecto ao Ministério das Relações Exteriores da República de Angola.

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