Karina Santos pronta para novos desafios

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É uma das novas vozes femininas mais bem sucedidas da contemporaneidade musical angolana, do ponto de vista da capacidade de adaptação, criatividade e evolução da sonoridade vocal. Em entrevista ao Jornal de Angola, entre outras novidades, Karina Santos assegurou que com a música tem feito muitos amigos, ganhou experiência, maturidade e algum dinheiro, o que a permitiu realizar alguns projectos pessoais e conhecer outros países e diferentes culturas. Revelou ainda que está a preparar-se para também abraçar o mundo empresarial.

A popularidade da cantora tem crescido, pela forma como as suas canções têm sido consumidas no mercado interno e em alguns países da lusofonia.
Recorrendo ao adágio segundo o qual “Altura não é documento”, Karina Santos tem sabido tirar proveito da pureza da sua voz dócil e encantadora.
A autora do grande sucesso “Sangue Bom”, um tributo aos heróis Jinga Mbande, Ngola Kiluanji e outros, sente-se feliz e realizada por tudo quanto tem conquistado, sobretudo, por ter conseguido constituir família, razão pela qual, entre outros motivos, esteve longo tempo ausente dos palcos e dos holofotes da fama. O regresso ao activo ainda cria-lhe alguma expectativa, por não saber bem como as pessoas vão receber os seus novos temas. “Sinto-me muito mais adulta, embora expectante quanto a reacção das pessoas, por causa do meu afastamento por questões pessoais”.
Depois de uma temporada na Xicote Produções, ela está de regresso à B. Max Produções, com a qual está a trabalhar no próximo projecto discográfico, de que já se conhecem os temas promocionais “Que Deus perdoe” e “Lingangá” (“Ama-me”), este último em dueto com Lutchana. A cantora diz que, eventualmente, como a ideia é “só somar”, poderá participar com mais temas musicais no próximo projecto da B. Max Produções, já que o mesmo ainda está em fase de produção.
Ela afirma que, em termos musicais, “ainda falta muito para me sentir realizada artisticamente” e que trabalhar com o cantor Livongh, que também pertence à B. Max Produções, tem sido uma das suas “melhores experiências”. Karina Santos lembra que foi com Ray Webba que começou a assumir-se musicalmente e que teve motivação para encarar a carreira como uma prioridade.
Para a cantora, a sua estratégia de divulgação passa pela “reconquista” do mercado interno, e, posteriormente, procurar ganhar visibilidade no mercado internacional.

Crise aguça criatividade
As dificuldades que os cantores e grupos musicais enfrentam, como a falta de patrocinadores, na óptica de Karina Santos, têm despertado a criatividade dos mesmos.
De modo a ter mais conhecimento para se lançar no mundo empresarial, Karina Santos pretende retomar a faculdade, para concluir o curso de Gestão de Recursos Humanos. Viver apenas da música, no seu dizer, pode não ser a solução, porque o mercado artístico tem estado muito competitivo e imediatista.
O tema “Que moço é esse”, lançado em 2016, continua a ser um dos “cartões postais” da cantora, a par das canções promocionais enquadradas no projecto da B. Max Produções. A “magia” artística de Livongh, enquanto produtor e cantor, deu outra qualidade a “Que moço é esse”, canção que catapultou Karina Santos novamente à ribalta.

Quando tudo começou
Desde pequena Karina Santos começou a dar sinais da sua queda para a música. É nos ambientes familiares que foi ganhando o hábito de cantar, disse, explicando que, um dia, um amigo do seu irmão, o cantor Alfredo Hossi, ouviu-a cantar e encorajou-a a participar nos concursos Estrelas ao Palco, Chuva de Estrelas e Festival da Canção da LAC. Ela assim o fez, mas foi sempre eliminada na primeira fase.
Ao contrário do que se poderia pensar, isso serviu-lhe de motivação para nunca mais parar. A experiência abriu-lhe outros caminhos e não mais largou a música: abraçou profissionalmente a carreira musical. Trabalhar, trabalhar, trabalhar… tem sido o tónico predilecto de Karina Santos, que procura estar sempre actualizada sobre as novas tendências e novidades musicais e tecnológicas, no sentido de não se deixar ultrapassar pela dinâmica dos acontecimentos. Ela faz questão de ouvir outras referências musicais do mercado interno e da diáspora.
Sentindo a necessidade de melhorar o seu trabalho, no período de 2006 a 2012 entrou na Escola Mestre Webba, onde se aperfeiçoou no canto, trabalhando o diafragma para melhor projectar a voz.
São muitos os músicos com quem gostaria de trabalhar artisticamente, com destaque para Kiaku Kyadaff, Ivandro Alexei, Yuri da Cunha, Euclides da Lomba e Rui Mingas. Elogiou o trabalho dos músicos de bar, com alguns dos quais pretende fazer parceria, reconhecendo neles talento e qualidade. Dos cantores internacionais, revelou que gostaria de fazer duetos com Alexandre Pires e Djavan.

Homenagem a Nhá Lisandra
Karina Santos lançou o seu primeiro disco, intitulado “Só Pra Mim”, em 2006, na portaria da Rádio Nacional, em Luanda, Com 13 temas, tocados numa base rítmica diversificada (Semba, Zouk, R&B) esse disco constituiu a primeira grande aposta da B. Max Produções nsquele ano, razão pela qual reuniu à sua volta os músicos tradicionais da produtora, nomeadamente, Pedro Nzagi, França (da Banda Voga), Nino Jazz, Vando Moreira, Fathar Mack, Fly, Kintino, Pedrito (baixista da Banda Versáteis), Yeyé Júnior, Totó e os falecidos Beto de Almeida, Chissica Arts e Nhá Lisandra, coordenados por Beto Max (produtor executivo) e Presílha Caley (produtor musical).
Embora ainda com pouca experiência no canto, Karina Santos mostrou no seu primeiro disco sinais visíveis da sua progressão. A autora teve ainda o privilégio de trabalhar, nesse álbum, com músicos como Barceló de Carvalho “Bonga” (autor do tema “Desespero de Garina”), Voto Gonçalves, Nelo Paim, Rey Webba, Jeff Brown e Paulo Massini.
Karina conta que desde o início da concepção e produção acreditava no sucesso do disco “Só Pra Mim”, que além do tema homónimo ao disco traz ainda as faixas “Roçadinha”, “Actor Principal”, “Desespero de Garina”, “O Vento Levou”, “Também Bate”, “DJ”, “Kimonha”, “Me Estende Com Mola” e “Arranja Cura”.
Com a publicação do seu primeiro disco, a artista, que já surpreendera o mercado nacional em 2004, com a canção “Sangue Bom”, viu materializado um sonho de infância e abertas as portas para tornar-se uma das vozes revelação da editora B. Max Produções.
Com letras bastante ousadas, própria da irreverência de uma jovem que procurava se afirmar no mercado da época, os temas do seu primeiro disco estão predominantemente voltados para o romantismo, numa homenagem à cantora Nhá Lisandra, assassinada em 2005, e que chegou a participar nas gravações, dando corpo aos coros das canções.

Fonte: JA/BA

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