Julgamento do ex-chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar retoma hoje

0

O julgamento onde o ex-chefe do Serviço de Inteligência e Segurança Militar (SISM), o general José Maria “Zé Maria”, está a ser julgado por extravio de documentos e insubordinação recomeça hoje em Luanda.

Na última sessão deste que é um dos mais mediáticos julgamentos em vários anos em Angola, por envolver uma das figuras de prova da governação do ex-Presidente José Eduardo dos Santos, o NJOnline escrevia que o tenente-general Carlos Filipe Feijó, na condição de declarante, desmentiu em tribunal afirmações do geneal Zé Maria.

Segundo Carlos Filipe Feijó, o dinheiro para a aquisição dos documentos sobre a batalha do Cuito Cuanavale saiu dos cofres do Estado angolano, não dos bolsos do Ex-Presidente José Eduardo dos Santos, como havia dito o general “Zé Maria” na sessão de julgamento anterior, a 12 deste mês, lançando uma nova acha para a fogueira: existe uma discrepância entre o valor apresentado inicialmente aos oito generais responsáveis pela reconstituição da história da Batalha do Cuíto Cuanavale e o valor retirado dos cofres do Estado.

De acordo com o tenente-general, que no dia 13 continuou a prestar declarações ao colectivo de juízes que tem em mãos o processo do general António José Maria “Zé Maria”, um dos homens mais poderosos durante os anos de governação do ex- Presidente José Eduardo dos Santos, quando os oito generais encarregados de reconstituir a história do maior confronto militar da Guerra Civil Angolana começaram o projecto, o valor referido a todos eles foi de 1,2 milhões de dólares.

“No final do projecto tivemos conhecimento através das ordens de saque que o valor ascendia a 2,4 milhões”, declarou Carlos Feijó, que disse ainda ao colectivo de juízes que os documentos, obtidos sem o conhecimento do Governo sul-africano, contêm segredos de Estado que “podem comprometer a Nação”, nomeadamente alguns depoimentos de ex-militares das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola – FAPLA.
“Códigos e símbolos que uma vez divulgados fazem comprometer as relações entre Angola e Africa do Sul”, afirmou.

A defesa do general “Zé Maria”, acusado de ter retirado documentos militares após a sua exoneração do cargo, em 2017, das instalações do SISM e de os ter levado para a sua residência, pediu que o juiz determinasse a prisão de Carlos Filipe Feijó por falsas declarações, o Ministério Público contestou, e o juiz não só negou o pedido da defesa, como decidiu voltar a ouvir o ex-chefe da Secreta militar para saber “onde foi parar o resto do dinheiro”, ou seja, 1,2 milhões de dólares.

De recordar que o arguido, antes de ser exonerado e passado à reforma pelo Presidente João Lourenço, trabalhava também para a Fundação Eduardo dos Santos e tinha como missão, coordenar a elaboração da história sobre os feitos do seu patrono, o ex-Presidente, incluindo a da da Batalha do Cuíto Cuanavale.

Estão arrolados como testemunhas no processo-crime contra o general Zé Maria os jornalistas da TPA Ernesto Bartolomeu, Isidro Sanhanga e Mário Vaz, pelo facto de os mesmos terem apresentado documentários e programas que reportavam factos sobre a batalha do Cuíto Cuanavale.

Estão de igual modo arrolados no processo como declarantes os deputados Higino Carneiro e Monteiro Leal Ngongo e o ex-presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos.
Fazem parte do colectivo de juízes o conselheiro presidente do Supremo Tribunal Militar, general António dos Santos Neto, e os adjuntos tenente general Carlos Vicente e Fernando Tavira, juízes conselheiros.

Share.

Deixar uma resposta