ITEL cria estação meteorológica para monitorização da seca

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O Instituto Médio de Telecomunicações (ITEL) apresentou hoje, em Luanda, no Angotic2019, uma estação meteorológica inteligente de controlo de regiões secas, com vista a dar resposta à situação de estiagem na província do Cunene e outras regiões do País.
O referido equipamento está patente na 10ª edição do Fórum e Exposição Global de Tecnologias de Informação e Comunicação Angotic, numa realização do Ministério das Telecomunicações e Tecnologia de Informação (MTTI).

De acordo com o professor do ITEL, Mateus Tiago a estação comporta uma interface com sensores de humidade dos solos, humidade relativa do ar, velocidade dos ventos.

Explicou que os sensores accionam as bombas para irrigar de acordo com a falta de humidade no solo.

O mesmo equipamento desactiva as motobombas quando os sensores detectam saturação de água no solo, ajudando assim no controlo dos sistemas de irrigação em regiões secas.

Por outro lado, de acordo com o mentor do projecto, o mesmo sistema também é utilizado para controlar incêndios, particularmente, em florestas e grandes cidades, que com ajuda de um GPS envia aos bombeiros as coordenadas exactas do local do sinistro.

Este sistema poderá contribuir para a mitigação de situações sazonais de seca como a do Cunene, que aflige 171 mil 488 famílias, desde Outubro de 2018, representando 79,1 porcento da população total da província, estimada em um milhão, 157 mil e 491 habitantes, vivendo a maioria no meio rural.

Deste número, 54 mil e 152 famílias pertencem ao município da Cahama, 13.105 ao Cuanhama, 10.735 ao Curoca, 7.686 ao Cuvelai, 22.998 ao Namacunde, 57.039 ao Ombadja, num total de 857 mil e 443 pessoas de 436 localidades a padecerem de fome e sede.

Os últimos dados do Governo Provincial do Cunene (GPC) indicam a existência de 299 mil e 623 pessoas a sofrerem de fome e sede na Cahama (municipalidade mais visada), 65.526 no Cuanhama, 53.677 no Curoca, 38.432 no Cuvelai, 114.991 em Namacunde e 285.194 na Ombandja.

Em consequência da seca que assola a província há sete meses, 276 escolas dos diversos níveis de ensino encontram-se afectadas no Cunene, nove das quais encerradas, prejudicando 54 mil e 500 alunos (de 436 localidades), que acompanham e ou ajudam os pais na pastorícia.

Assim, com excepção de Ombandja, na Cahama estão afectadas 17 escolas e três mil e 31 alunos, no Cuanhama 186 escolas e 39. 573 alunos, no Curoca 15 escolas e 266 alunos, no Cuvelai quatro escolas e 957 alunos e no Namacunde 54 escolas e 10.703 alunos.

Em relação ao gado, principal activo económico da província, estão afectados cerca de 907.572 bovinos, sendo 54.152 da Cahama, 320.000 do Cuanhama, 52.000 do Curoca, 21.283 do Cuvelai, 120.137 de Namacunde e 340 mil de Ombadja, a região mais representativa.

Segundo a mais recente actualização, registou-se a morte de 19.539 animais, incluindo caprinos e bovinos, razão pela qual os governos central e provincial adoptaram medidas emergências e estruturantes para minimizar os efeitos da seca a curto prazo. Entre as medidas constam acções de abastecimento de água às comunidades, assistência humanitária com bens de primeira necessidade (alimentares e não alimentares) e apoio aos criadores de gado, indica o documento do GPC.

A propósito, o Presidente da Republica, João Lourenço, aprovou recentemente um pacote de 200 milhões de dólares, destinados à construção de grandes obras de engenharia hidráulica (três barragens hídricas, respectivos canais adutores de água e 89 chimpacas).

O objectivo é construir-se um sistema de transferência de água do Rio Cunene, a partir da localidade de Cafu (no município de Ombandja, até Shana, nas áreas de Cuamato, na mesma municipalidade) e Namacunde, com vista a contrapor os efeitos destrutivos da seca na província.

Fonte: Angop/BA

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