Instituições de ensino devem intervir com a criação de Bibliotecas

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Em alusão ao Dia Mundial das Bibliotecas, 1 de Julho, o escritor e colecionador de livros, Jorge Salvador, defende que nesta fase da Covid-19 as bibliotecas devem permanecer fechadas e temos que cumprir com as regras de prevenção, mas ainda assim, não existem motivos para deixar de ter acesso aos livros.

TPA Online – Na sua óptica como está Angola no que diz respeito as bibliotecas?
J.S – A realidade actual mostra que temos um grande desafio pela frente, face a grande carência de bibliotecas ao nível nacional. Não creio que as 25 bibliotecas públicas que existem sejam suficientes para o desejado incentivo à leitura que deve abranger todo o território nacional.


Penso que devemos repensar o papel das Universidades Públicas, Privadas e outras instituições de ensino que devem também intervir com a criação de Bibliotecas ou centros de Estudo que de forma essencial possam diminuir essa carência e elevar o nível de intervenção nas comunidades em que as mesmas estão inseridas.


Luanda é a província com maior número de bibliotecas (9), mas o desafio dos governos provinciais deve envolver as instituições que mencionei para que a médio prazo o quadro seja melhorado e nos traga resultados que também deve passar pela aposta do privado neste processo e que beneficie não só os centros das cidades, mas os municípios, comunas e aldeias em que os jovens também devem ter acesso às bibliotecas ou centros de estudos de qualidade. Não se pode alimentar a ideia de que o Estado é o único responsável pela criação de bibliotecas. Considero que o Estado deve para além de investir na criação de bibliotecas também deve criar condições, ser parceiro, apoiar e incentivar iniciativas que visam a criação destas instituições que muito podem contribuir para a educação da nossa sociedade.

TPA Online – Só criar bibliotecas é solução? Ou melhor, ter muitas bibliotecas num lugar em que muitas pessoas não têm cultura de leitura é viável?
J.S – Claro que não! Aqui o assunto é muito mais preocupante porque as nossas bibliotecas muitas delas morrem ao nascer. Essa morte é declarada quando construímos bibliotecas sem condições exigidas para que os leitores se sintam atraídos, quando construímos e não promovemos o seu grau de importância na vida dos cidadãos, quando construímos e não somos capazes de aplicar uma gestão própria para a instituição e quando os livros que lá se encontram não trazem a qualidade exigida nos conteúdos.


Neste processo os nossos escritores também são chamados a contribuir com obras que não sejam sinônimo de retrocesso do conhecimento, sendo que as bibliotecas devem adoptar políticas criativas, actividades atrativas que envolvam os jovens para que os mesmos se sintam envolvidos e ganhem o gosto de as frequentar. É urgente que as políticas públicas de valorização do livro e da leitura no país priorizem a biblioteca no desenvolvimento da cultura letrada em Angola.

TPA Online – O que deve ser feito para a nossa sociedade aumentar o número de leitores regulares?

J.S – Penso que podemos começar por trazer mais opções de locais para compra de livros, criar actividades que permite o contacto do leitor com os escritores, envolver os meios de comunicação social em campanhas que promovam a leitura, reduzir os preços e os impostos de que investe neste sector.


É importante que se compreenda que muitos jovens não têm acesso aos livros por causa dos preços. Os governos devem trabalhar para que impostos na cadeia produtiva do livro principalmente das publicações nacionais seja reduzida. Por outro lado, deve se revitalizar as bibliotecas que já existem de formas a melhorar o seu funcionamento em todas as vertentes.

TPA Online – Sabemos que é colecionador de livros, quantos tem e porque pensa, no futuro, abrir uma biblioteca?
J.S – Tenho mais de 3 mil livros. O gosto pela leitura e o interesse em partilhar o conhecimento através dos livros é um dos motivos que alimenta o sonho de um dia abrir uma biblioteca.

TPA Online – Algum dia alguém se apoderou de um dos seus livros sem a sua autorização?
J.S – Já sim. Até hoje não superei este furto porque o livro foi um dos primeiros da minha coleção.

TPA Online – Estamos numa fase em que as tecnologias de informação têm crescido muito, sente que este factor é um forte motivo para as pessoas se desapegarem das bibliotecas?
J.S – Não necessariamente. Penso que com o surgimento das tecnologias de informação o acesso e a disseminação das informações que incentivam o gosto pela leitura aumentou consideravelmente, mudando o paradigma de que nas bibliotecas só se pode encontrar documentos impressos. É necessário que as bibliotecas acompanhem o desenvolvimento tecnológico para melhorarem os seus serviços e disseminar o conhecimento.

TPA Online – Neste momento da pandemia Covid-19, as bibliotecas estão fechadas, que alternativas pode apontar aos leitores que frequentavam esta instituição regularmente, principalmente aqueles que têm pouco poder de compra de livros?
J.S – Temos que cumprir com as regras de prevenção contra a COVID 19. Ainda assim não existem motivos para deixar de ter acesso aos livros ou bibliotecas virtuais. O acesso aos livros pode ser feito através da ‘internet’. Já temos sites e bibliotecas virtuais que nos dão a possibilidade de comprar e baixar de forma gratuita alguns livros e de lermos se quisermos através de um telemóvel.

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