Hospital “Américo Boavida” vai entrar em obras

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O Hospital Américo Boavida vai beneficiar de uma reabilitação profunda a partir do próximo ano, anunciou ontem, em Luanda, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta.

Aquele hospital de referência do país, que recebeu ontem a visita do Presidente da República, João Lourenço, encontra-se completamente degradado  e necessita de obras de reabilitação.
A ministra, que falou à imprensa no final da visita do Presidente da República, garantiu que, numa primeira fase, vai ser apresentado um projecto de reabilitação, com o apoio do Ministério da Construção e  Obras Públicas e do Laboratório de Engenharia.
Durante a visita, que durou duas horas, o  Presidente da República foi informado sobre o estado físico e estrutural do hospital, os perigos e as prováveis complicações que podem surgir devido às fissuras que apresenta.
Antes da visita guiada, João Lourenço recebeu explicações sobre as intervenções que devem ser feitas para a melhoria da estrutura da unidade hospitalar.
O Hospital Américo Boavida  conta com 11 elevadores, mas apenas três estão em funcionamento. O Presidente João Lourenço visitou os seis andares do hospital onde funcionam o Bloco Operatório, Serviços de Urologia, Cardiologia, Gastrologia, Dermatologia, Medicina Interna, Banco de Urgência, Serviços dos Cuidados Intensivo e a Pediatria.
João Lourenço recebeu explicações sobre os serviços prestados nessas áreas, as dificuldades e a qualidade de assistência dada aos internados. No Bloco Operatório, o Presidente foi informado  que o mesmo conta com nove salas, três das quais estão inoperantes
Para a ministra da Saúde, a visita do Presidente ao Hospital Américo Boavida “é demonstração de que João Lourenço está preocupado com o sector social e em particular com a área da Saúde”.
“Fizemos uma reflexão sobre que rumo daremos ao hospital, que precisa de uma reabilitação profunda, com especial atenção à parte estrutural. Se fizermos um trabalho aturado, vamos conseguir atingir esse objectivo”, afirmou a ministra da  Saúde.
Sílvia Lutucuta adiantou que, para o trabalho de reabilitação, o Ministério da Saúde está a trabalhar com o Laboratório de Engenheira e o Ministério da Construção e Obras Públicas, que vão apresentar as soluções técnicas para a reabilitação do hospital.

Aquisição de equipamentos  

A ministra lembrou que em Novembro foi dado a esta unidade hospitalar um apoio financeiro para a compra de equipamentos. “Estes equipamentos estão em aquisição e acredito que uma combinação de novos equipamentos e a reabilitação das áreas com problemas graves vai dar uma qualidade assistencial muito melhor aos pacientes”, salientou.
A responsável pelo sector da Saúde garantiu que o Hospital Américo Boavida, em termos de medicamentos, “está muito bem” e  recebe os medicamentos por duas vias:  através da Central de Compras e os  adquiridos no mercado nacional.
A ministra falou da falta de medicamentos no país para o tratamento da  Hepatite B. “Há uma grande dificuldade, mesmo no mercado internacional, encontrar este fármaco, mas vamos fazer buscas em vários países”, reconheceu.
Sílvia Lutucuta disse que o  concurso público para  aquisição de medicamentos será contínuo e abrangente.  “Não é só um concurso ligado para o mercado internacional, mas também para o nacional”, disse a ministra, que acredita que o sector vai, a curto prazo, dar solução à falta de medicamentos específicos no país.
O Presidente visitou também a área dos Serviços de Doenças Infecciosas e Parasitárias . A directora dos Serviços de Doenças Infecciosas e Parasitárias , Lelo Santos, disse que nesta área funcionam quatro especialistas, três internos de especialidade, 23 enfermeiros e seis vigilantes.
Esta área conta com 49 ca-mas e atende em média  cinco a seis doentes por dia. Lelo Santos afirmou que semanalmente nesta área, que trata também da malária e sistossomiases, morrem quatro a cinco pacientes.
A responsável assegurou que  o Hospital tem os anti-retrovirais para o tratamento do HIV e a tuberculose.  “Há dois meses que estamos muito bem, mas que os doentes chegam já em estado terminal”, disse a chefe da área de Doenças Infecciosas e Parasitárias.

Laboratório reprova construção de nova unidade

O especialista do Laboratório de Engenheira de Angola  Rui Marques reprovou a construção de um novo hospital e defendeu a reabilitação do actual Hospital Américo Boavida. A ideia foi apoiada pelo Presidente da República, que recebeu informações sobre o estado da unidade hospitalar construída em 1958, no tempo colonial.
Rui Marques informou ao Presidente da República que os dois projectos apresentados para a construção de um novo hospital são propostas comerciais que, do ponto de vista técnico, não apresentam solução.
“Foram apresentados  projectos para a construção de um novo hospital. Não se  trata de projectos, mas sim de propostas comerciais que, do  ponto de vista técnico, não apresentam qualquer solução”, afirmou o engenheiro.
As soluções para a melhoria do hospital, disse, passam pela recuperação e reabilitação da rede de drenagem pluvial, de esgotos, abastecimento de água e reforço das fundações do edifício para a estabilização das estruturas.
O director-geral do Hospital Américo Boavida, Agostinho Matamba, reconheceu  que o hospital precisa de uma reestruturação de alto nível do ponto de vista de construção civil.  O Hospital conta actualmente com 800 camas, 2000 profissionais, entre os quais 173 médicos. Até ontem, durante a visita do Presidente da República, estavam internados mais de 600 doentes.
Agostinho Matamba, antigo basquetebolista da Selecção Nacional, disse que o Banco de Urgência atende diariamente cerca de  400 doentes.  “O Hospital está inovado desde Dezembro do ano passado  e até hoje houve mudanças drásticas . Antes encontrávamos doentes no chão, hoje isso não existe, havia um atendimento menos humanizado e pouco profissionalismo “, disse.
Quanto aos constrangimentos, Agostinho Matamba disse que o Hospital tem onze  elevadores distribuídos pelas diferentes partes da unidade hospitalar, oito estão obsoletos e os três  funcionam com avarias sucessivas e necessitam de uma substituição completa.
Agostinho Matamba apontou também como constrangimentos a falta de aparelhos de tomografia, ressonância magnética e Raio X portátil para a unidade de cuidados intensivos. “Estes equipamentos já foram comprados e estão no processo de chegada ao país”, disse a concluir.

TPA com JA/LD

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