Hospitais portugueses “à beira do limite”

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Várias ambulâncias com pacientes tiveram de esperar horas, para dar entrada no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, pela segunda noite consecutiva. O maior hospital português descarta no entanto uma situação de caos. De acordo com o Centro Hospitalar de Lisboa Norte, a “pressão na urgência dedicada a doentes respiratórios e nos internamentos” tinha já levado a um alargamento “do plano de contingênciacovid“.

Cenário idêntico foi vivido no Hospital de Torres Vedras, onde na noite de sexta-feira, a sobrelotação de camas obrigou à criação de uma nova enfermaria.

O Garcia de Orta, em Almada, esgotou este sábado a capacidade e alerta para risco de “pré-catástrofe”. E no hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a administração admitiu ter de enviar os doentes em tratamento de quimioterapia para outros hospitais. A medida visa libertar profissionais e espaços para reforçar o combate à covid-19.

Os hospitais portugueses estão a acusar a pressão e a falta de meios para dar resposta ao aumento de doentes infetados com coronavírus.

O sistema, admite a ministra da Saúde, Marta Temido, “está à beira do limite”. Para os Médicos de Saúde Pública, a situação “é absolutamente insustentável”.

Portugal contabilizou este domingo 10385 novos contágios e 152 mortes relacionadas com a covid-19. Nas últimas 24 horas, foi ainda registado um novo máximo no número de internamentos e pacientes em cuidados intensivos.

Governo pode aumentar restrições

O executivo vai reunir-se em conselho de ministros extraordinário esta segunda-feira, devendo aprovar novas medidasrelacionadas com o confinamento, disse à Lusa fonte do executivo.

A RTP adianta que em cima da mesa estarão medidas como a proibição de venda de bebidas ao postigo para evitar ajuntamentos à porta dos cafés.

Outra medida em avaliação será a possibilidade de abrir os centros de tempos livres para crianças até aos 12 anos, adiantou a fonte.

Este domingo, o Presidente da República admitiu um agravamento de medidas, considerando que o confinamento não está a ser levado a sério.

“Pode ser necessário ir mais longe no fechamento de atividades que ainda ficaram abertas, se for necessário, como sinal à sociedade”, declarou Marcelo Rebelo de Sousa aos jornalistas no Hospital de Santa Maria, adiantando que, “se for preciso reponderar medidas, o Governo naturalmente terá o apoio do Presidente da República”.

Do lado do Governo, a ministra da Saúde, Marta Temido, apelou à responsabilidade individual dos portugueses, admitindo que viu com preocupação a forma como os portugueses se comportaram no primeiro fim de semana, desde que entrou em vigor o novo confinamento geral.

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