Guarda de Fronteira apreende 23 milhões de kwanzas a caminho do Congo – Negócio de compra de divisas na RDC está a ter forte crescimento

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Um cidadão angolano foi detido pela Guarda de Fronteira quando procurava passar ilegalmente 23 milhões de kwanzas para a República Democrática do Congo (RDC), na fronteira do Luvo, província do Zaire, disse hoje ao NJOnline o Director provincial de Comunicação e Imprensa, Inspector-Chefe, Luís Bernardo

A detenção teve lugar na manhã de Domingo, segundo Luís Bernardo, quando as patrulhas fronteiriças detectaram o indivíduo a procurar atravessar a fronteira por caminhos florestais distantes do posto fronteiriço oficial.

Esta é uma das maiores detenções, este ano, de dinheiro na fronteira entre a RDC e a província do Zaire, apenas superado por uma apreensão de cerca de 50 milhões de kwanzas realizada na mesma área geográfica em Fevereiro.

Os dados oficiais revelam uma crescente movimentação de pessoas a transportar ilegalmente dinheiro para a RDC, geralmente em kwanzas, porque, nos últimos anos, a moeda nacional adquiriu um estatuto de moeda franca devido ao volume igualmente crescente de negócios entre os dois países, sendo que bens como combustíveis ou cerveja angolanos são á banais no país vizinho.

Isso e a facilidade com que se consegue encontrar dólares norte-americanos na RDC a um preço mais baixo que em Luanda, por exemplo, têm levado a que, cada vez em maior número, cidadãos angolanos e congoleses, arrisquem traspor a fronteira com avultadas somas.

Na RDC, um dólar norte-americano pode custar 480 kwanzas ou menos, dependendo do montante e do negócio que for feito, quando em Angola, no mercado informal, para obter um dólar são necessário, actualmente, 510 kwanzas.

Esta diferença e a fácil aceitação do Kwanza na RDC faz com que sejam cada vez mais os angolanos que procuram rentabilizar o seu capital no país vizinho, onde o kwanza é utilizado para adquirir bens em Angola, especialmente no mercado fronteiriço do Luvo, na província do Zaire, sendo, nas zonas fronteiriças quase uma moeda franca, como o é o dólar norte-americano.

Isto, porque se, por um lado, em Angola é cada vez mais difícil encontrar moeda norte-americana, ou mesmo euros europeus, na RDC não existem restrições para a aquisição de dólares, moeda que circula em grandes quantidades naquele país devido à porosidade das suas fronteiras e à presença de milhares de estrangeiros na exploração ilegal de recursos,c como diamantes, madeiras ou minérios raros no leste do país.

A título de exemplo, e tendo como referência estes 23 milhões de kwanzas, se fossem trocados por dólares em Angola, valeriam cerca de 45 mil ao câmbio informal de hoje, enquanto na RDC poderiam chegar a valer cerca de 49 mil USD, o que corresponde a um lucro potencial de quase cinco mil dólares apenas numa transacção.

Entretanto, já hoje, o comandante nacional da Polícia de Guarda Fronteiras de Angola, comissário-chefe Francisco Ferreira Paiva, anunciou em Luanda a construção de pelo menos uma dúzia de novos postos fronteiriços com a RDC de forma a melhor controlar os fluxos entre os dois países, tanto de pessoas como de bens.

O oficial fez este anúncio numa cerimónia de celebração dos 41 anos da Guarda de Fronteira, onde admitiu como prazo para a criação destes novos postos de controlo o ano de 2020.

Isto, num contexto em que os dois países têm trabalhado em conjunto para melhorar a vigilância fronteiriça, admitindo que o controlo dos fluxos de um lado para o outro não é o melhor nem o ideal.

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