Governo responde a efeitos da seca no sul com incentivos à produção agrícola, controlo de preços e mais acesso à água

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Num cenário onde milhares de angolanos, especialmente jovens, muitos com filhos, estão a deixar as províncias do sul do País passando a fronteira para a Namíbia para fugir à fome e ao desemprego, o Governo reagiu com a aprovação de medidas em Conselho de Ministros para incentivar a produção agrícola nas zonas de maior sufoco para as populações.

Nas duas medidas agora assumidas pela Comissão Económica do Conselho de Ministros, que apontam de forma efectiva para a redução do impacto da seca nas populações de forma a estancar o “aumento da pobreza e evitar a sua emigração para outras regiões”, estão agregadas respostas aos efeitos da prolongada seca na agricultura e pecuária e ainda no controlo dos preços dos bens alimentares de base.

Esta iniciativas demonstram a preocupação do Executivo com a situação no sul do País, onde, como o Novo Jornal tem acompanhado aqui, aqui, e aqui, milhares de pessoas, especialmente jovens rapazes e raparigas, muitos com os filhos às costas, estão a atravessar a fronteira para a vizinha Namíbia em busca de alimentação e trabalho, aceitando trabalhos árduos apenas em troco de uma refeição.

Este cenário levou mesmo as autoridades namibianas a pedirem uma reacção urgente do Governo de Luanda e a embaixadora angolana em Windhoek, Jovelina Neto, passou alguns dias na regiões do norte namibiano, especialmente em Omusati, onde se concentram a maior parte dos angolanos que procuram fugir aos efeitos da estiagem prolongada em províncias como o Cunene, a Huíla e mesmo o Namibe, estando mesmo muitos deles já a ser repatriados como imigrantes ilegais.

Agora, na reunião de terça-feira, o Conselho de Ministros (Comissão Económica), segundo foi anunciado em comunicado citado pela Lusa, o memorando de entendimento prevê a atribuição de insumos agrícolas, disseminação e vulgarização da prática de culturas de raízes e tubérculos como mandioca e batata doce nas regiões com seca severa, distribuição de pequenos equipamentos de rega, reabilitação e construção de pequenos e médios esquemas de regadio, introdução de culturas forrageiras nas regiões semiáridas, construção de açudes e barragens, transvase dos rios e capacitação no uso de novas tecnologias e formas de maneio de gado nas comunidades pastorícias.

Foi também aprovado um documento relativo aos bens alimentares com propostas de medidas “pontuais, temporárias e urgentes” para a redução dos respectivos preços.

“Face ao carácter emergencial deste problema, a Comissão Económica adoptou algumas medidas transitórias e urgentes, que deverão vigorar num período de quatro meses, nomeadamente uma maior flexibilidade no processo de importação dos produtos da cesta básica; a realização de encontros de concertação com os principais produtores e importadores de produtos alimentares e a criação de condições efectivas para a implementação da Reserva Estratégica Alimentar”, lê-se no documento.

A seca no sul de Angola, tal como na restante África Austral, é um problema de décadas mas que se tem agravado fortemente nos últimos anos devido às alterações climáticas, com efeitos devastadores na vida de milhões de pessoas.

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