Governo angolano demove refugiados da RDcongo de abandonarem Lóvua

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As autoridades angolanas estão a prestar apoio a um grupo de refugiados da vizinha República Democrática do Congo (RDC) que, unilateralmente, decidiu abandonar, neste sábado, o campo de Lóvua, onde se encontravam alojados, a cerca de 150 Km da cidade do Dundo, província da Lunda-Norte.

Este grupo é constituído por cerca de oito mil pessoas, de um total de 23 600 refugiados que estão no campo. Segundo a Embaixada de Angola em Lisboa, os refugiados decidiram seguir a pé até ao centro político e administrativo da cidade e daí caminhar mais 90 Km em direção à fronteira com o seu país.

O governo de Angola está a tentar negociar com os refugiados que ainda se encontram no campo de Lóvua – cerca de 18 mil – no sentido deos demover do regresso ao seu país sem que primeiro estejam criadas as condições mínimas logísticas de apoio para que a operação decorra nas melhores condições.

A intenção do governo angolano resulta de uma recomendação das diferentes partes envolvidas no processo: os executivos angolanos e congolês e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Segundo o comunicado da embaixada, essas condições passam pela “disponibilidade de transporte, água e alimentos, de modo a evitar a ocorrência de constrangimentos para os refugiados”.

A decisão dos refugiados de abandonarem o campo acontece a menos de uma semana da realização da reunião quadripartida que junta em Luanda os presidentes de Angola, João Lourenço, e da DRCongo, Félix Tshisekedi. No encontro da próxima quarta-feira deverão ser assinados os instrumentos que consagram os entendimentos entre o Uganda e o Ruanda na sequência das diligências levadas a cabo por Angola.

A tensão da questão dos refugiados congoleses subiu de tom – noticia a Agência Angop – uma vez que as autoridades da República Democrática do Congo continuam sem concretizar o compromisso para receber os seus cidadãos.

RDCongo garantiu que tinha condições para receber refugiados

A 29 de julho passado, o governador da província congolesa do Kassai, Martin Malumba, realizou uma visita de três dias a Angola para tratar do processo de repatriamento dos refugiados. Nessa ocasião, garantiu que a RDCongo tinha criado todas as condições para acolher os cidadãos refugiados em Lóvua.

No final do encontro com o governador da Lunda-Norte, Ernesto Muangala, Martin Malumba garantiu que “os motivos da saída dos cidadãos congoleses do seu país estão ultrapassados”, pelo que “já podem regressar, para contribuírem para o seu desenvolvimento”.

“O Congo tem condições para receber os nossos filhos a qualquer momento. Por isso, viemos para (tentar) encontrar soluções urgentes e acelerar a reunião tripartida entre os governos de Angola e da RDC e o Alto Comissariado das Nações Unidades”, frisou, desmentido que as notícias de que a RDC não oferece condições de segurança para o repatriamento dos seus cidadãos.

Em 2017 mais de 30 mil congoleses atravessaram a fronteira com Angola para fugir à violência generalizada causada pelas tensões políticas e étnicas na RDCongo.

O ACNUR apoia no campo do Lóvua os milhares de refugiados, que têm vindo a manifestar a vontade de regressar à RDC, após a eleição do presidente Félix Tshisekedi, que em janeiro deste ano substituiu Joseph Kabila.

No Dia Mundial dos Refugiados, a 20 de junho, Philippa Candler, representante do ACNUR em Angola, referia que os dois países estavam a trabalhar por via diplomática para se avançar, em breve, com uma reunião tripartida (Angola, RDC e a ACNUR).

“Assumimos o compromisso de facilitar o repatriamento voluntário dos refugiados da RDC”, assegurou.

Os refugiados têm apontado agosto como o mês ideal para o regresso à RDCongo, alegando que em setembro é a época das matrículas e assim ficaria facilitado o processo de integração escolar dos filhos – noticiou a Angop. De acordo com o ACNUR 85 por cento dos refugiados assentados no Lóvua manifestaram vontade de regressar., sendo a maioria oriundos da província do Kassai.

Fonte: Diário de notícias/BA

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