Fidesz rejeita ser relacionado com populismo e extremismo

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Os conservadores no poder na Hungria (Fidesz) rejeitam “totalmente” serem relacionados com “termos negativos” como populismo ou extremismo, alegando antes serem “um partido das pessoas”, que quer mudanças na estrutura da “atual elite de Bruxelas”.

Em entrevista à agência Lusa a propósito das eleições europeias, em Budapeste, o diretor de comunicação do Fidesz (Aliança Cívica Húngara) e também candidato a este sufrágio, Balázs Hidvéghi, disse “rejeitar totalmente o termo populismo quando este é usado com uma conotação negativa”.

“Rejeito termos como esse e também como o de extremismo”, acrescentou o responsável, salientando que o Fidesz “não tem, de todo” posições extremistas sobre qualquer assunto.

Para Balázs Hidvéghi, este é, antes, “o partido das pessoas”.

“Isso significa que nós tentamos governar para as pessoas, com as pessoas e pelas pessoas, com o apoio delas”, assinalou.

E sublinhou: “O Fidesz fala sobre a realidade e ouve os interesses e as necessidades das pessoas. Não nos arrependemos de o fazer”.

O Fidesz é, atualmente, o maior partido húngaro, que está no poder há três eleições legislativas consecutivas, desde 2010.

Tendo como principal rosto o primeiro-ministro húngaro, Viktor Órban, o partido detém uma maioria de dois terços naquele parlamento, o que já lhe permitiu, por exemplo, alterar a Constituição Nacional e mudar o funcionamento do sistema judicial.

Estas mudanças têm vindo a ser criticadas dentro e fora do país, nomeadamente pelo executivo comunitário, que tem falando em desrespeito pelo Estado de Direito e pelos valores da União Europeia (UE), gerando uma subida de tom nas tensões entre Budapeste e Bruxelas.

No domingo, a Hungria vota e elege 21 dos 751 deputados do Parlamento Europeu.

Para o Fidesz, estas eleições europeias são “mais importantes do que qualquer outra anteriormente feita”, tendo em conta “a decisão sobre o futuro da Europa”, apontou Balázs Hidvéghi na entrevista à Lusa.

“Há duas claras visões: uma — que é a nossa — defende que a Europa deve ser baseada numa cooperação de Estados soberanos e independentes, uma Europa de nações, como Charles de Gaulle [antigo presidente francês]pensou […] e a outra visão é de uma Europa baseada na migração, de grande multiculturalismo e que é cada vez mais e mais centralizada em Bruxelas, com cada vez menos poder e influência de cada Estado-membro”, observou o político conservador.

Esta última visão é, para o Fidesz, “errada”, já que a imigração “não é um fenómeno tão inevitável quanto isso” e “não é algo que os europeus tenham, obrigatoriamente, de aceitar”.

Apesar de reconhecer que existe “questão humanitária subjacente” às migrações, Balázs Hidvéghi vincou que a necessidade diferenciar refugiados e “migrantes económicos”, argumentando que “a UE não está em posição de oferecer uma vida melhor a todos”.

Este discurso anti-imigração e de fecho das fronteiras aos migrantes tem sido usado pelo partido nos últimos anos.

Também comum têm sido os ataques às instituições europeias, nomeadamente à Comissão.

“Acreditamos que a atual elite de Bruxelas, especialmente da Comissão Europeia, deve ser mudada. A Comissão Europeia deve ser uma guardiã dos tratados, como está lá escrito, e não uma liderança política da UE”, sustentou Balázs Hidvéghi.

Para o Fidesz, a liderança política da União deveria, antes, “ficar sob alçada do Conselho Europeu, onde estão representados os chefes de Governo ou de Estado”, permitindo assim criar “uma Europa de nações”.

Questionado pela Lusa sobre resultados nas europeias, Balázs Hidvéghi mostrou-se esperançoso que o Fidesz consiga ultrapassar o número de eleitos no mandato anterior, que foram 12, contra nove lugares distribuídos por cinco partidos da oposição.

À semelhança das eleições anteriores, o Fidesz concorre coligado com o Partido Popular Democrata-Cristão (KNDP).

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