Falta de escolas para autistas continua ser um problema

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A falta de escolas específicas no país para inclusão no sistema de ensino das crianças autistas constitui um grande drama, disse a presidente da Associação Coração Azul.

A falta de escolas específicas no país para inclusão no sistema de ensino das crianças autistas constitui um grande drama, disse a presidente da Associação Coração Azul.

Maria da Luz explicou que, apesar da existência de um Decreto-Lei que garante a inclusão de crianças com deficiência no sistema de ensino, mas, infelizmente, no país não existem condições para acomodar os menores que padecem desta patologia.
“É preciso que se criem condições para a inclusão do ensino especial dentro das escolas do ensino normal”, afirmou Maria da Luz, para quem a doença era até bem pouco tempo desconhecida em Angola, mas que tem vindo a ganhar o seu espaço.
Maria da Luz, que falava no acto de celebrações do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo, celebrado no dia 2 deste mês, reconhece haver uma preocupação, cada vez maior, da sociedade civil e das autoridades governamentais em valorizar essa patologia que, directa e indirectamente, afecta centenas de famílias em Angola.
Para a presidente da Associação Coração Azul, o movimento à volta das celebrações do Dia Mundial da Consciencialização do Autismo comprovam o interesse das autoridades em tudo fazer para a criação de condições de pessoas que padecem desta doença.
Nesta perspectiva, o Governo e sociedade civil unem forças, numa altura em que prevalecem as interrogações em relação as causas e origem da doença.
A vice-presidente Associação Angolana dos Amigos do Autismo (ASSAMA), Suazana da Silva, disse que com o evento pretenderam chamar atenção ao país e o mundo para causa que defendem em prol dos autistas.
“Existem muitas crianças com problemas de autismo, mas que, por diversas razões, os pais pouco ou nada sabem do que se passa com os filhos. Nalguns casos podem até saber mas preferem não acreditar e atribui-la a outras causas, que variam entre hereditariedade ou a outras crenças com misticismo à mistura”, afirmou Suazana da Silva.
O governador provincial de Luanda defendeu a necessidade de se dotar o sector da Educação de currículos específicos para os profissionais que trabalham directamente com crianças autista e ao mesmo tempo capacitá-los, no âmbito de uma aposta permanente.
Sérgio Luther Rescova destacou a importância da escola de ensino especial, como uma ferramenta fundamental no processo de inclusão das crianças autistas. O governante reconheceu que é preciso haver escolas especificas, mas também professores qualificados. “A nós, pouco interessa saber se os nossos filhos estão a estudar numa turma com 40 alunos, onde o professor nem sequer está preparado para identificar os sinais sobre o autismo e outras patologias de foro neurológico”.
Para assinalar a data, foi realizada a primeira conferência sobre o Autismo em Angola, além do lançamento da mais nova associação em defesa do autismo, a Ekanda.
Para o médico do Hospital Psiquiátrico de Luanda Jaime Sampaio, apesar do aumento do conhecimento que se tem hoje em relação ao autismo em Angola, mais ainda persistem os tabus, sobrepondo-se, em muitos casos, a real situação a que cada caso apresenta.
Descoberto em 1911, altura em que foi descrito como a versão clínica mais severa da esquizofrenia pelo psiquiatra suíço, Eugen Bleuler (1897-1939), o autismo é uma doença do campo neuropsicologia, que abarca as áreas da Neurologia e psiquiatria. É considerada uma patologia de origem genética apesar de várias teorias que circulam à sua volta. Mas nos últimos tempos, a versão genética tem vindo a afirmar-se com maior acuidade.

Fonte: JA/LD

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