Etona leva escultura aos municípios para «sondar» opiniões e quebrar mitos

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O pintor e escultor angolano Etona prevê realizar, a partir da segunda quinzena de Julho, uma série de exposições por quatro municípios da província de Luanda, com vista a aferir “o que resta da população rural em termos de sensibilidade artística” e, assim, “despertar” o Estado sobre a necessidade de municipalização das artes.

As amostras deverão realizar-se em praças transitórias. Por exemplo, no município de Cacuaco – a região em que se dará início ao «périplo» -, a exposição deverá decorrer nas imediações entre o conhecido «Tanque de água» e as pedonais.

Aí, durante oito dias, ao ar livre, sem qualquer pagamento, os transeuntes poderão apreciar uma peça com o nome A cegueira da justiça.

Feita em madeira de acácias, medindo cerca de três metros de comprimento, a peça assemelha-se a Témis, deusa grega da Justiça, representando uma mulher com um pano que lhe venda os olhos e umas tantas pessoas às suas costas com as mãos implorantes esticadas.

“Quero descer à periferia e saber o que existe na mente do povo no que à valoração do processo artístico diz respeito”, explica Etona, argumentando que o projecto também visa colmatar o alegado “atraso” do Governo na implementação do programa de municipalização das artes.

Depois de Cacuaco, o périplo de Etona seguirá pelos municípios de Luanda, Viana e Cazenga, com exibição de peças diferentes em cada uma destas zonas, sendo que os locais de exposição serão, preferencialmente, os de maior afluência popular, como as paragens de táxi.

“A seguir ao périplo por estes quatro municípios, arrancaremos os trabalhos para uma grande exposição do Etona”, diz o artista, que não põe de lado, em todas estas movimentações, a possibilidade de venda das peças a serem expostas.

Mitos que prejudicam

Do Soyo, província do Zaire, onde nasceu há 59 anos, António Tomás Ana, mais conhecido por Etona, pinta e esculpe desde tenra idade. E, desta experiência, destaca pela negativa o facto de a arte entre os angolanos ser ainda objecto de muitos “mitos” e “preconceitos”.

Fonte: NOVO JORNAL/BA

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