Estado compra gado ao preço do mercado

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Um programa de emergência para a compra de bovinos em risco de não resistir à seca que assola a província do Cunene foi lançado quinta-feira, em Ondjiva, pelo ministro da Agricultura e Florestas, António Francisco de Assis.

A província do Cunene enfrenta uma seca severa desde Outubro de 2018, a qual afectou 880 176 populares, 1,1 milhões de bovinos, tendo causado a morte de 30 mil cabeças de bovinos, caprinos e suínos, segundo a Angop.

No acto de lançamento do programa, o ministro da Agricultura e Florestas disse que se prevê a compra, numa primeira fase, de 1 200 animais em estado físico debilitado aos criadores, de forma voluntária, a 100 mil kwanzas por cabeça.

Os fundos empregados na compra do gado são do Orçamento Geral do Estado (OGE), numa operação dirigida pelo Instituto de Desenvolvimento Agrário e os Serviços Veterinários para capitalizar os criadores e atenuar o sofrimento causado pela falta de alimentos no seio das famílias.

O ministro anunciou que os animais adquiridos vão ser levados para algumas fazendas locais e estações geotécnicas do Ministério da Agricultura para um pequeno processo de recuperação e, posteriormente, são empregados em estudos científicos necessários para a bovinicultora.

O processo de compra de animais decorre apenas na província do Cunene, mas poderá vir a ser estendido a outras regiões mais críticas, à medida que forem disponibilizados mais recursos financeiros.

Vendas ao desbarato

Em meados de Julho, o Jornal de Angola noticiou que os criadores tradicionais do Cavelocamue, no município do Virei, Namibe, estavam a desfazer-se do gado devido à seca que afecta toda a região sul de Angola, baixando o preço dos bovinos, antes vendidos entre 80 e cem mil kwanzas, para apenas 30 mil.

O soba de Cavelocamue, Txifuima Mungondo, explicou naquela altura ao Jornal de Angola que, perante a falta de água e pastos, os criadores preferem vender os animais a preços baixos, do que assistir à sua morte pela fome.

O gado também perde valor pela perda de peso, sendo a solução, para os criadores, vendê-los para obterem algum dinheiro para a sua sobrevivência por alguns dias.

O efectivo bovino angolano estava estimado, em Agosto de 2017, em 3,850 milhões de cabeças, onde a região sul se destacava com o maior número.

O Instituto Nacional de Estatística (INE) realiza, de Julho a Dezembro, um recenseamento da agropecuária e pesca, para o qual dispõe de 24,9 milhões de kwanzas parcialmente disponibilizados pelo Banco Mundial, de acordo com informações do director-geral desses serviços.

Fonte: JA/BA

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