Estadistas africanos traçam formas para travar o novo coronavírus

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O Presidente da República, João Lourenço, participou, ontem, a partir do seu gabinete, numa videoconferência com os homólogos da África do Sul, Zimbabwe, Reino de eSwatini, Moçambique, Lesotho, Botswana, Namíbia e Chade, para a articulação de estratégias conjuntas para travar os avanços da Covid-19 na região, bem como a troca de experiência sobre como deve ser o continente após a pandemia.

Numa iniciativa do Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, na qualidade de presidente em exercício da União Africana (UA), a conferência girou em torno da necessidade dos países membros da África Austral articularem mecanismos conjuntos para dar resposta à Covid-19.  Numa altura em que se registam avanços da pandemia, os Chefes de Estado analisaram questões cruciais para o futuro da região, essencialmente na fase do pós-Covid-19.  Como primeiro passo, os líderes da região deverão primar pela troca de informações, como ocorreu na videoconferência de ontem.

A ser assim, entendem ser fundamental sincronizar algumas medidas de cariz político, migratórias e de partilha de experiência no âmbito da pesquisa científica nos mais diversos domínios da vida.  Durante as quase quatro horas de videoconferência, os participantes concordaram em amplificar o diálogo e alargar o nível de intercâmbio entre os países, num momento em que cada um deles faz face à pandemia de forma isolada.

O ministro das Relações Exteriores, que fez o resumo da reunião à imprensa, lembrou que, nesta actuação isolada, os países poderão extrair algumas lições para melhor enfrentar o “inimigo invisível”. “Com toda esta situação, é possível ver em que pé estamos e quais as lições a aprender”, realçou Téte António.  A conclusão a que a reunião chegou é que os países africanos precisam, numa primeira instância, de intensificar a troca de informações e sincronizar as políticas migratórias, trocar experiência no domínio de pesquisas científicas e fazer com que o movimento de pessoas e bens nas fronteiras seja bem estruturado.

“Estes são aspectos que serviram de mote para a videoconferência e que caracterizam bem a fase actual, embora tenham sido afloradas, também, questões para o futuro do continente no pós-pandemia”, afirmou.

Reconfigurar práticas

O chefe da diplomacia angolana referiu, ainda, que os Chefes de Estado mostraram-se preocupados com o futuro da região na fase póscoranavírus e entenderam ser preciso trabalhar na reconfiguração de práticas que ainda fazem a praxe de muitos países, desde a forma como se processa a produção, faz a governação e até a circulação no interior das fronteiras.

Téte António lembrou que Nkosazana Dlamini Zuma, antiga presidente da Comissão da União Africana, que também participou na videconferência, comparou a Covid-19 a uma fase de pós-guerra, lembrando haver lições por retirar da situação, mas também oportunidades por abraçar.
“Estas são questões que devemos pôr em relevo para que a Covid-19 não traga só aspectos negativos, mas também lições importantes que levem a que sejamos capazes de dar um passo determinante na mudança que o continente deseja, olhando para a necessidade de se eliminarem falhas”, defendeu Zuma, citada por Téte António.

Os Presidentes, assinalou o ministro, chegaram à conclusão ser necessário continuar a dialogar e envolver os sectores da Saúde e Relações Exteriores para serem aprofundados alguns aspectos fundamentais para os países da região. Para conferencistas, é preciso provocar estas mudanças.
Cyril Ramaphosa tem participado, ao longo destas semanas, em reuniões de âmbito regional, fóruns internacionais do G-20 para defender interesses do continente africano, bem como encetado contactos com organizações internacionais e homens de negócio.

Ontem, o presidente em exercício da União Africana entendeu ser importante partilhar experiências com os pares da Região Austral, uma forma de estreitar a cooperação em tempos de pandemia e engendrar formas de reduzir o impacto na vida dos países.O continente africano registou, na semana passada, mais de 2.100 novos casos de Covid-19 por dia, 1,5 vezes mais do que na semana anterior. Os dados foram avançados, há dois dias, pelo director do Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças da União Africana (África CDC), John Nkengasong, durante a conferência de imprensa semanal, a partir da sede da organização, em Addis Abeba, Etiópia.

“Na semana entre 30 de Abril e 6 de Maio, foram reportados 14.757 novos casos de Covid-19 comparados com os 10.500 registados na semana anterior. Tivemos 1,5 vezes mais casos esta semana, com uma média de 2.108 por dia”, disse. O responsável do África CDC assinalou o facto de o continente ter ultrapassado, há dois dias, a barreira dos 50 mil casos de infecção pelo novo coronavírus e as duas mil mortes (2.012), adiantando que a taxa de mortalidade no continente se situa nos 3,9 por cento.
Mais de 17.500 doentes foram dados como recuperados. Apenas cinco países concentram 56 por cento de todos os casos do continente, sendo África do Sul com 15 por cento, Egipto com 14 por cento, Marrocos com 11 por cento, Argélia com dez por cento e Nigéria com seis por cento.

JA

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