Escritores reflectem sobre políticas culturais na África Central

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A integração e as mudanças culturais na África Central foi o tema de um fórum entre escritores angolanos e Santomenses, no 23º Salão Internacional de Edição e do Livro de Marrocos, que decorre em Casablanca.

Os escritores angolanos Cremilda de Lima e Aguinaldo Cristóvão, a par do escritor santomense Lúcio Amado, foram os convidados para a mesa redonda sobre integração cultural no contexto da África Central, tendo como moderadora a professora de espanhol e estudiosa da língua portuguesa, a marroquina Fátima Lahssini.
Durante a mesa redonda, que contou com a presença do director-Geral do Instituto Nacional das Indústrias Culturais de Angola, Gabriel Cabuço, foi debatida a integração linguística, literária e os benefícios da integração cultural no contexto africano, em geral, e dos países da África Central, em particular.
O escritor Aguinaldo Cristóvão defendeu políticas culturais activas que permitam que os países da Comunidade Económica da África Central (CEAAC) possam fortalecer através do incentivo das indústrias culturais, os laços históricos culturais e linguísticos a par da cooperação económica.
O escritor sublinhou que ao nível da comunidade existem obstáculos linguísticos que podem ser ultrapassados e que a integração cultural confere sustentabilidade à integração económica.
Já a escritora Cremilda de Lima apontou o papel da literatura para a promoção da leitura e do conhecimento de outras culturas.
A especialista em literatura infantil destacou ainda o papel desenvolvido pelos escritores no domínio da cooperação através de feiras e edições bilingue, bem como as questões actuais do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.
Sublinhou o papel da língua portuguesa como factor de unidade nacional em Angola e exortou a valorização das línguas nacionais, como veículo de transmissão da nossa herança cultural.
Por seu turno, o escritor santomense Lúcio Amado apresentou o exemplo da emigração como uma questão que deve ser analisada no âmbito da integração dos países e defendeu que exista uma maior aposta na interculturalidade.
Lúcio Amado recordou que ao nível da África Central os países implementam políticas culturais a velocidades diferentes, tendo destacado o exemplo da Guiné Equatorial que desenvolve políticas de ensino massivo da língua portuguesa no quadro da sua integração na CPLP.
O debate, que teve tradução em francês e árabe, esteve inserido no programa cultural do Salão Internacional de Edição e do Livro de Marrocos, no qual Angola foi convidada de honra.
O evento decorreu de 8 a 19 de Fevereiro e diariamente contava com um número de visitantes de 3 a 6 mil diários.

Fonte: ANGOP/BA

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