Escassez de combustível origina apagões em Benguela

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Os cortes constantes de energia eléctrica nos municípios de Benguela, Baía Farta, Catumbela e Lobito devem-se à escassez de combustível. A Empresa de Produção de Electricidade (Prodel), que gere as centrais térmicas que alimentam as regiões, culpa a Sonangol por não estar a fornecer as quantidades necessárias de gasóleo, pois são necessários 450 mil litros por dia para o funcionamento incessantemente das centrais, informou, ontem a Angop.

O responsável da Prodel na província, Pedro Barros, disse em conferência de imprensa que os constantes apagões que se registam nas referidas localidades, desde a semana passada, prendem-se com o incumprimento por parte da Sonangol do contrato que tem com a Prodel para o fornecimento de combustível.
“Quando não recebemos combustível suficiente, não temos outra solução senão paralisar as máquinas, que deveriam trabalhar 24 horas por dia”, disse o responsável, referindo que o sector está com uma produção de pouco mais de 90 megawatts, para uma necessidade de mais de 200 megawatts nos quatro municípios referidos.
Pedro Barros imputou a responsabilidade dos cortes constantes de energia eléctrica à direcção da Sonangol . Disse que além da hidroeléctrica de Lomaum, as demais centrais são térmicas e sem gasóleo não funcionam.

Para o director da Prodel, o país tem energia que dá para distribuir nas 18 províncias, mas a grande dificuldade prende-se com o sistema de transportação, que tem de ser construído.
Desde a semana passada, a situação energética tornou-se bastante deficiente na província de Benguela, com realce para a zona litoral, por sinal a mais consumidora, devido ao seu potencial industrial.
Entretanto, o vice-governador para Infra-Estruturas, Leopoldo Muhongo, presente na conferência de imprensa, adiantou que “em Agosto ou Setembro” a província vai ser conectada ao sistema norte de distribuição de corrente eléctrica.
Fornecimento de água

O presidente do Conselho de Administração da Empresa de Águas e Saneamento de Benguela (EASB), Alberto Jaime, que também esteve na conferência de imprensa, adiantou que a mesma “está a distribuir tudo o que produz”, não dispondo de reservas para atender novos clientes. 
“Neste momento quem não recebe água ao domicílio deverá aguardar até à implementação da terceira fase do projecto de distribuição, que aguarda por financiamento, estimado em 300 milhões de dólares”, frisou.

Afirmou que, para as novas zonas em crescimento urbanístico, a população deve ter uma certa paciência, “tendo em conta as limitações financeiras da própria empresa”.
Quanto às reclamações dos consumidores que são obrigados a pagar mais de seis mil kwanzas, quando o tarifário oficial estabelece menos de 1.000, por cinco metros cúbicos, destinados à chamada “classe social”, Alberto Jaime disse desconhecer estas cobranças. “As pessoas que não cumprem com a tarifa oficial devem ser denunciadas à Procuradoria-Geral da República, porque as normas são para serem cumpridas”, salientou.

Quanto às práticas de cobranças à porta do cliente, acrescentou que está proibido desde Janeiro deste ano e quem assim proceder deve também ser denunciado, já que os pagamentos devem ser feitos nas lojas da empresa ou por via de equipamentos electrónicos.
Entretanto, num comunicado de imprensa, a EASB informa que regista uma avaria no transformador eléctrico de fornecimento de energia alternativa a partir do grupo gerador da estação de bombagem de água bruta, estando assim sem fonte alternativa de energia.

Enquanto durar a avaria, acrescenta a nota, o sector registará cortes no fornecimento de água sempre que houver falha na energia recebida da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE).
A zona litoral da província é abastecida em termos de água e energia eléctrica por um sistema unificado para os municípios da Baía Farta, Benguela, Catumbela e Lobito, e a escassez de combustível que a Empresa de Produção de Energia (Prodel) enfrenta, nos últimos dias, começa também a afectar os diferentes sectores que trabalham com a rede pública de corrente eléctrica, como é o caso da empresa de águas.

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