Diamantes: Saiu mais um gigante do Lulo

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A mina do Lulo, na Lunda Norte, produziu mais um diamante gigante, com 171 quilates, o 4º maior produzido nesta exploração gerida pelos australianos da Lucapa Diamond Company desde 2016.

Considerado de elevada qualidade, gema branca, este é o segundo diamante com mais de 100 quilates encontrado este ano na mina do Lulo, depois de em Janeiro a Lucapa ter anunciado um com 117 quilates.

O anúncio feito hoje em comunciado adianta que desde que iniciou a exploração, este é o 15º diamante com mais de 100 quilates extraído pela empresa no Lulo, onde está com a Endiama e a Rosa & Pétalas como associados.

Este diamante foi encontrado no aluvião, em curso de água no interior dos 3.000 km2, no bloco 6, que faz parte da área que fornece os maiores diamantes encontrados até hoje em Angola, nomeadamente o maior de sempre, com 404 quilates, que foi vendido por 16 milhões de dólares à antiga De Grisogono, joalharia suíça de Isabel dos Santos e Sindka Dokolo.

O regresso em grande da mina dos gigantes

A mina do Lulo voltou a laborar neste início de Maio depois de um mês inteiro de portas fechadas por causa das medidas de contenção da pandemia da Covid-19.

Com a laboração suspensa desde 01 de Abril, na sequência da declaração do estado de emergência, a 27 de Março, pelo Presidente João Lourenço, os australianos da Lucapa Diamond Company anunciaram, em finais de Abril, o regresso ao trabalho com 50% da sua força laboral e em dois turnos de laboração diários, com descanso ao Domingo.

O CEO da Lucapa, empresa australiana que gere o Lulo, Steve Wetherall, em comunicado divulgado nos media australianos, país onde a empresa está cotada em bolsa, informava no fim de Abril, que estão em curso conversações com os representantes da indústria diamantífera para colocar no Lulo as mais inovadoras tecnologias de forma a valorizar ao máximo os diamantes ali extraídos.

O Lulo é, para além da fonte dos maiores diamantes extraídos em Angola em mais de um século desta indústria, primeiro no tempo colonial, com a Diamang, e após a independência, com a Endiama na condição de concessionários, a mina com o mais valioso rácio quilate/dólares em diamantes de aluvião em todo o mundo devido à dimensão e qualidade das gemas ali encontradas.

Com esta reabertura, como a Lucapa já fez saber, a aposta vai ser na exploração de um dos afluentes presentes no interior dos 3.000 km”s quadrados da exploração, o de Canguige, onde os técnicos do Lulo admitem poder aproximar-se do kimberlito de onde brotaram as gemas gigantes encontradas nas bacias fluviais (aluvião) que permanece por descobrir apesar dos esforços nesse sentido.

Mas esse trabalho de fundo só deverá arrancar a 100% quando as condições do país, actualmente sob estado de emergência por causa da Covid-19, o que condiciona as condições laborais permitindo apenas a presença de metade dos seus trabalhadores.

A indústria diamantífera mundial está a atravessar uma severa crise por causa do impacto da pandemia na economia das grandes economias, como a norte-americana, chinesa ou indiana, aquelas que consomem mais quilates por ano nesta ordem.

E esta crise surge numa altura em que as coisas já não estavam bem, depois de entre 2018 e 2019 o negócio ter sofrido de forma severa com o excesso de oferta de diamantes de pequena dimensão, ou por causa dos diamantes sintéticos, embora se tenha mantido vigoroso no que toca às grandes gemas, como é o caso da maior parte das produzidas no Lulo.

Recorde-se que em 2016 o Lulo conseguiu mesmo o recorde mundial de preço por quilate, chegando aos 2983 dólares norte-americanos por quilate, tendo igualmente estasdo nas bocas do mundo por causa da sua “estrada dos diamantes”.

O kimberlito-mãe

Um dos objectivos da operadora do Lulo, que é o mais famoso couto mineiro de Angola, a par da Catoca, o 4º maior kimberlito do mundo, é, finalmente, perceber a origem de todos os grandes diamantes que foram encontrados nos últimos quase cinco anos de exploração em aluvião, sendo que há mesmo estudos que apontam para que a quantidade de quilates em depósito seja muito superior ao até aqui estimado.

A hipótese que mais incentiva esta cotada australiana, como tem divulgado nos últimos três anos, é que o kimberlito-mãe desses gigantes – do Lulo brotaram os quatro maiores diamantes alguma vez encontrados em Angola – esteja no interior dos mais de 3.000 kms da exploração, onde todas as “pedras” foram, até hoje, retiradas do aluvião constituído pelos inúmeros cursos de água da área sem que se saiba a sua origem.

Numa nota divulgada na Austrália, onde a empresa está cotada em bolsa e estas notícias são importantes para a sua valorização de mercado, a Lucapa Diamond Company avançou que, com o fim da estação das chuvas, vai apostar na pesquisa nos afluentes de Canguige, na área a montante do seu bloco 46, de onde saíram as mais valiosas gemas do Lulo e, quem sabe se não será, finalmente, encontrada a origem dos mundialmente famosos “gigantes” da Lunda Norte.

Mas a Lucapa anunciou ainda que está a trabalhar com a Endiama para encontrar formas de gerar liquidez para os produtores do sector em Angola, depois de a indústria ter sido fortemente atingida, tal como outros, pelo impacto da pandemia na economia global dos diamantes, nomeadamente na China e na Índia, mercados que quase estagnaram.

Crescer em Angola

Antes desta crise emergir a partir da China, a Lucapa Diamond Company estava em negociações com o Governo angolano e a Endiama para aumentar a sua quota no capital do projecto mineiro do Lulo.

Actualmente a Lucapa possui 39% do projecto mineiro do Lulo, que abrange cerca de 3.000 km2 de área, na Lunda Norte, nas proximidades da localidade de Lucapa, contra os 51% da Endiama e os 10% da Rosa & Pétalas.

Segundo fez saber em Dezembro de 2019 a empresa australiana, o objectivo é – essa intenção ainda não foi, ao que se sabe, retirada – conseguir obter do Ministério dos Recursos Naturais e Petróleo autorização para adquirir quota suficiente para chegar à maioria do capital.

Face ao actual quadro accionista, os australianos só conseguirão essa maioria de capital através da aquisição de parte da participação da Endiama e na agenda da Lucapa estava consegui-lo até este mês de Abril.

Segundo explicou então o CEO da Lucapa, Stephen Wetherall, este movimento resulta da vontade da empresa e da possibilidade aberta pelas alterações legislativas que permitiram “relaxar” as regras que impunham que o Estado fosse detentor da maioria do capital dos projectos mineiros no sector diamantífero.

Segundo Stephen Wetherall, “isto só é possível porque o Governo angolano deseja criar condições para atrair de forma significativa investimento externo directo para o sector mineiro”.

Os gigantes do Lulo

Recorde-se que o Lulo é a fonte dos maiores e mais valiosos diamantes alguma vez produzidos pela indústria diamantífera angolana – existindo mesmo no interior da exploração uma estrada que se suspeita estar sobre gemas gigantes -, nomeadamente a “pedra” de 404 quilates descoberta em 2016, que acabou por ser vendida aos suíços da De Grisogono, que pertence a Isabel dos Santos, por 16 milhões de dólares norte-americanos.

Esse diamante foi, depois, sujeito a um trabalho de corte e polimento de luxo que o transformou numa rara jóia de 163 quilates e que foi vendida em Genebra, pela Christie”s, por quase 34 milhões de dólares.

Mas o que leva a Lucapa a avançar com este investimento, se obtiver a autorização para isso do Governo, é que todos os diamantes descobertos nesta mina são de origem aluvial, o que compreende a forte possibilidade de todos eles terem como “mãe” um excepcional kimberlito que ainda está por encontrar mas que os australianos têm apontado como estando dentro dos limites dos 3.000 km2 do Lulo.

Fonte: NOVO JORNAL/BA

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