Dia Mundial da Terceira Idade: Insuficiência cardíaca “cansa e mata”

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É a primeira causa de internamento hospitalar e estima-se que a taxa de mortalidade e as hospitalizações associadas a esta síndrome aumentem significativamente nos próximos anos. Cerca de 80% das pessoas com Insuficiência Cardíaca (IC) são idosas.

No Dia Mundial da Terceira Idade, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia lança a mensagem: A IC é frequente, grave, comum, cansa e mata, mas pode ser prevenida e tratada!

No passado dia 28 de setembro foi lançado, no Parlamento Europeu, e no âmbito de uma sessão dedicada à partilha de boas práticas na área da insuficiência cardíaca, o manual ‘The Handbook of multidisciplinar and integrated heart failure care’, com o objetivo de promover a prevenção e melhorar a resposta a esta síndrome, que só em Portugal atinge mais de meio milhão de pessoas.

Este manual foi desenvolvido pela plataforma Heart Failure Policy Network, que nasce da necessidade de intensificar a cooperação entre políticos de toda a Europa, profissionais de saúde, doentes e stakeholders, por forma a fomentar a criação de políticas que contribuam para uma melhor qualidade de vida das pessoas com Insuficiência Cardíaca.  

De acordo com um dos membros da direção desta plataforma, Professor Jose Ramon Gonzalez-Juanatey “deverão ser promovidas iniciativas em todos os países da União Europeia, incluindo iniciativas a nível político, por forma destacar a importância e magnitude associada à Insuficiência Cardíaca. Dada a extraordinária dimensão e possibilidade de aumento da prevalência desta síndrome, sem uma ação concertada ao nível da prevenção, estaremos a ser responsáveis pelo sofrimento que esta doença causa aos doentes e suas famílias e pelo brutal aumento da sua carga sócio-económica. A nível político, há uma certa sensibilização para o Enfarto Agudo do Miocárdio e do Acidente Vascular Cerebral, mas o seu conhecimento, e em especial a sensibilização para a IC é, ainda, muito limitada.

A IC tem um grande impacto na qualidade de vida, é a primeira causa de internamento hospitalar, mas pode ser tratada e prevenida se soubermos quais os seus sintomas e a diagnosticarmos antecipadamente. A falta de conhecimento é grave e pode resultar na desvalorização de sintomas, de fatores de risco e, por consequente, num diagnóstico tardio o que pode levar a maior mortalidade, morbilidade, hospitalizações e custos em saúde. É, por isso, urgente aumentar o reconhecimento dos sintomas da insuficiência cardíaca, para que se possa ajudar todos aqueles que vivem com esta condição. No Dia Internacional da Terceira Idade, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) relembra os mais de 500 000 Portugueses que sofrem de insuficiência cardíaca (IC) e cuja tendência não é decrescente.

De acordo com os dados do relatório do Programa Nacional para Doenças Cérebro-Cardiovasculares as mortes associadas às doenças do aparelho circulatório têm diminuído: em 2010, representavam 31,8% das causas de morte, em 2015 eram 29,7%. No caso do Acidente Vascular Cerebral, registaram-se menos mortes de 2013 (7872) para 2015 (6432). Já no que respeita aos internamentos hospitalares devido a doenças do aparelho circulatório, verificou-se uma quebra de 2011 para 2016, mas nos casos de insuficiência cardíaca, registou-se um aumento: de 15 583 internamentos em 2011 para 18 752 em 2016.

A insuficiência cardíaca tem uma taxa de mortalidade superior a diversos tipos de cancro, tais como o cancro da mama, do cólon, da próstata e a leucemia.  Associado à elevada taxa de prevalência desta doença está a subvalorização e desconhecimento do comportamento desta patologia, gestão, seus sinais e sintomas, prognóstico, tratamento e prevenção. A melhoria das condições de vida, a maior qualidade dos cuidados de saúde e o avanço tecnológico, que têm garantido uma melhor prevenção e tratamento de diversas doenças, têm levado a um aumento da esperança média de vida da população Portuguesa. Portugal é hoje um país com uma população envelhecida e, como tal, com elevado risco de desenvolver insuficiência cardíaca (IC).

O que é a IC?

A IC é causada por alterações na estrutura e função do músculo cardíaco, que ao ficar fragilizado compromete o aporte de nutrientes e oxigénio ao organismo. numa fase inicial, a sua progressão pode ser silenciosa, mas tende a manifestar-se por surtos de agudização, isto é, de descompensação da doença, levando a internamentos frequentes e consecutivos.

Os principais sintomas da IC são: falta de ar; inchaço dos pés e pernas; falta de energia e cansaço; dificuldade em dormir à noite devido à dificuldade em respirar; abdómen inchado; perda de apetite, que pode ser acompanhada de náuseas; ganho de peso (devido ao inchaço no corpo); tosse; aumento da frequência e necessidade de urinar à noite; confusão mental e tontura.

No futuro, é expectável que uma em cinco pessoas venha a desenvolver esta doença ao longo da vida. Cerca de metade dos doentes morre, em média, cinco anos após o diagnóstico. Além disso, o número de internamentos está diretamente relacionado com o aumento da mortalidade, pelo que a redução e prevenção das hospitalizações deve ser uma prioridade. A insuficiência cardíaca é muito debilitante, não só do ponto de vista físico, mas também emocional, o que leva frequentemente a estados depressivos e a outras patologias do foro psicológico, afetando doentes e cuidadores.

Entre as medidas propostas pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia destacam-se:

  • Tornar a insuficiência cardíaca uma prioridade na saúde;
  • Formar os profissionais de saúde;
  • Criar um programa multidisciplinar de manejo integrado da insuficiência cardíaca a fim de assegurar o correto acompanhamento dos doentes;
  • Melhorar o diagnóstico precoce através do doseamento de marcadores bioquímicos para exclusão da doença;
  • Implementar uma metodologia de recolha de dados, com intuito de atualizar a informação epidemiológica de progressão da síndrome e de avaliar os impactos para a qualidade de vida dos doentes e para a economia do país.

“É urgente aumentar o reconhecimento dos sintomas da insuficiência cardíaca, para que possamos ajudar todos aqueles que vivem com esta condição!” É desígnio da SPC evitar que o número de doentes com insuficiência cardíaca continue a aumentar. Por este motivo, a SPC alerta Profissionais de Saúde, Tutela, Media e Sociedade Civil, para a necessidade de discutir a doença que constitui um grave problema de saúde pública em Portugal, constituindo a principal causa de internamento em doentes idosos, com importantes repercussões socioeconómicas.

Fonte: Lifestyle ao minuto/BA

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