Desobstruída passagem hidráulica do Bairro da Luz

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A passagem hidráulica sob a linha férrea que atravessa o Bairro da Luz, na cidade do Lobito, província de Benguela, está já desobstruída, na sequência do processo de limpeza que beneficiou recentemente, visando escoar as águas pluviais, apurou hoje, terça-feira, a Angop.

Executada pela empresa chinesa Sinohydro, a operação de limpeza de toda a zona pavimentada da vala de drenagem do referido bairro decorre desde Junho último e tem por objectivo melhorar a capacidade de escoamento das águas em época chuvosa, evitando a ocorrência de inundações.

A Angop soube que faltam dois meses para o fim desta intervenção emergencial, mas que os trabalhos já atingiram cerca de dois terços em termos de execução, dos 4.298 metros do perfil longitudinal da vala de drenagem da Luz, na parte sul da cidade do Lobito.

Em declarações à Angop, o administrador municipal adjunto do Lobito para a área Administrativa e Técnica, Jone Dalton de Carvalho, explicou que a intervenção nesta vala está a ser feita por fases e, além da passagem hidráulica já desobstruída, destacou várias toneladas de lama, lixo diverso e vegetação retiradas do local.
Disse que será necessário, mais tarde, fazer o revestimento com betão na parte da vala cujo perfil ainda é de terra e a construção de uma comporta anti-maré.

Jone Dalton de Carvalho enquadrou os trabalhos em cursos no plano de recuperação dos canais de macro drenagem sob responsabilidade do Ministério da Construção e Obras Públicas, para prevenir as calamidades resultantes das grandes chuvas.

Entretanto, referiu que algumas situações imprevistas surgiram, como o caso de quantidades de água provenientes das condutas construídas no local, depois de desobstruídos os drenos que as guiam para a vala.
Esta situação foi prontamente contornada porque a Sinohydro teve o cuidado de trabalhar por trechos com três camiões, duas máquinas giratórias e uma máquina com pá de recolha de terra, numa empreitada que envolve quatro angolanos e três chineses.

Governo monitora intervenção do sistema de macro drenagem do Lobito

A propósito, o vice-governador provincial de Benguela, Leopoldo Muhongo, ressaltou que a vala de drenagem do Bairro da Luz encontra-se completamente desobstruída, o que, em caso de chuva, permite a passagem da água, prevendo-se que o mesmo trabalho siga à foz.

Considerando a referida vala de fundamental para todo o sistema da macro drenagem do Lobito, o responsável afirmou que o governo está a acompanhar a execução dos trabalhos de limpeza pela Sinohydro, pois, faz parte do programa de emergência.

Responsável pelo pelouro dos Serviços Técnicos e Infra-estruturas no Governo de Benguela, Leopoldo Muhongo acredita que os munícipes do Lobito passarão a ter no Bairro da Luz um melhor sistema de drenagem para conduzir as águas pluviais e evitar o cenário vivido na época chuvosa dos últimos três a quatro anos.
O vice-governador anunciou que depois da limpeza ao longo da área pavimentada, o empreiteiro vai intervir também a partir da linha do Caminho-de-Ferro de Benguela (CFB) até à foz da vala, para que toda a água proveniente da zona Alta do Lobito seja melhor escoada para o mar.

Nesta senda, ressaltou que o sistema anti-maré será completamente limpo quer a nível da vala, quer da praia do Bebé (circunscrição da Catumbela). Depois, será feito um estudo para a reposição das novas estruturas de comportas anti-maré.

“A luta passa por evitar a repetição do cenário do 11 de Março de 2015”, admite o responsável, acrescentando que, embora a fúria da natureza seja algo imprevisível, tudo está a ser feito para que a capacidade de resposta seja a melhor possível em situação de chuva forte.

População aplaude iniciativa

Após anos de apreensão pelo estado crítico da vala de drenagem do Bairro da Luz, que deixava inundações, munícipes do Lobito, sobretudo os moradores dos bairros São João, Calohamue, Santa Cruz, Calumba e Vicundo, arredores da cidade, aplaudem a retoma das obras de uma das maiores infra-estruturas de colecta e transporte de águas pluviais da localidade.

O comerciante Constantino Banado, 54 anos, que em 2011 trabalhou na reabilitação da própria vala, reconheceu que a falta de manutenção contribuiu para a ocorrência de inundações que causaram mortes de pessoas e desabamento de casas.

Segundo este munícipe, o maior problema da vala da Luz estava na sua “cabeceira”, onde o acúmulo de todo o tipo de detritos ao longo de muitos anos condicionava a passagem da água para o mar, daí as enchentes nas épocas de intensas chuvas.

O soba do bairro Caleira, Felisberto Epulu, lembrou que, no tempo colonial, era a antiga Açucareira 1º de Maio da Catumbela que fazia a manutenção da vala do Bairro da Luz, mas, desde 1986, tudo parou, por causa da guerra.
A vala de drenagem do Bairro da Luz tem 4.298 metros de perfil longitudinal, 23 metros de perfil transversal e dois metros e meio de profundidade.

No total, o sistema de drenagem do Lobito tem cerca de 30 quilómetros.
A 11 de Março de 2015, a região do Lobito foi, tal como uma parte do município da Catumbela, fustigada por intensa chuva, acompanhada de vento forte, que causou a morte de mais de 70 pessoas e o desalojamento de centenas de famílias que, mais tarde, viriam a ser reassentadas na zona do Bango-Bango.

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