“Cubangola” é o novo disco do cantor Zé Maria Boyoth

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Zé Maria Boyoth falou da importância e simbolismo que representa o CD “Cubangola”, na concretização do diálogo cultural entre Cuba e Angola: “Este disco significa para mim o simbolismo e união de duas expressões culturais que representam a ligação histórica e política entre os povos de Angola e Cuba.

O CD mistura ritmos afro-latinos e angolanos que poderão enriquecer a particularidade antropológica e cultural dos dois povos. Também valorizei neste disco o factor patriótico, sobretudo no tema “Angola, terra santa abençoada”, para enaltecer o amor que os angolanos sentem pela unidade nacional, ou seja, realçando a necessidade de nos entregarmos por Angola com um verdadeiro sentimento de amor”.

Zé Maria Boyoth é conhecido por ter empreendido um processo singular de recolha e interpretação do cancioneiro da região do Cuanza Norte, sobretudo das canções tradicionais dos povos que habitam a zona de confluência dos municípios do Lucala, Samba Cajú e Kalandula, incluindo a zona do Golungo Alto, Cazengo, e Máua, município da Camabatela, fazendo renascer uma figura de rara aparição nos nossos dias, a do cantor, compositor, e, simultaneamente, investigador do cancioneiro tradicional.

O conjunto da obra musical de Zé Maria Boyoth, embora seja pouco referenciada e enaltecida, representa uma amostra importante de valorização patrimonial e de preservação do cancioneiro tradicional angolano, em língua nacional Kimbundo. Zé Maria Boyoth nasceu no interior de uma família de sete irmãos, da qual fazem parte duas mulheres. Por ser oriundo de uma família com parcos recursos financeiros, só iniciou os seus estudos aos nove anos de idade, tendo usufruído de uma bolsa do Governo da Província do Kwanza Norte. Durante a instrução primária, Zé Maria era um menino com propensão para o desenho, e o traço dos seus retractos, representavam, preferencialmente, edifícios e rostos de pessoas.

Zé Maria Boyoth sempre estabeleceu uma relação íntima, e de complementaridade entre a literatura e a sua música. Com Jorge Ntiamba, Victor Kajibanga, Justino da Glória, e Ângela Ferreira, fundaram a Brigada Jovem de Literatura de Angola na União Soviética, tendo sido eleito presidente.
Filho de José Maria Dias Branco e de Luzia Mateus Francisco, doméstica e amante da lavoura do campo, António José Mateus nasceu em Ndalatando, Província do Kwanza Norte, no dia 10 de Maio de 1961. Lembra o cantor, que era frequente a sua mãe dizer: “Este é a minha chave de ouro, referindo-se a Zé Maria Boyoth, a quem dediquei muita atenção, para que ele fosse no futuro da sua vida, o seu próprio pai. No fundo é o que está acontecer”.

O CD “Cubangola” é uma mistura de “Timba” e semba angolano. A música “Timba”cubana é uma evolução da salsa, considerado um movimento de resistência, reafirmação da identidade e das suas raízes africanas. Do disco fazem parte as canções, “Angola, terra santa abençoada”, “Você esqueceu demais”, “Este é o meu lugar”, “Mãe obrigado”, “Hoy somos um solo”, “Vecino és pariente”, “Anita”, “Preço d’amizade”, “Ngensele Njila”, “Yaka epaynagay”, “Mi amore”, “Não sou mexerico”, “Mona kujimbe manhenu”, “Tia Madia tem mania” e um “Bónus com Hector Dee”.

TPA com JA/EB

Sobre o autor

Eliseu Augusto Botelho é jornalista da Televisão Pública de Angola desde Dezembro e 1999. Foi editor do 1º Jornal e do Jornal Nacional, ambos na TPA2 e Coordenador do Jornal da Tarde e co-coordenador do Telejornal, ambos na TPA1. Já foi chefe de redacção do Centro de Produção da TPA em Caxito-Bengo. Actualmente exerce a função de jornalista na Direcção de Multimédia da TPA, cuja tarefa é gerir os conteúdos publicados nas várias páginas do facebook da estação e no seu site oficial. Tem o curso médio de Jornalismo do IMEL e várias formações em Angola e Portugal com professroes, Angolanos, Brasileiros e Portugueses. É licenciado em Relações Internacionais, pelo Instituto Superior de Relações Internacionais, afecto ao Ministério das Relações Exteriores da República de Angola.

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