Crianças de pais com mais de 40 anos podem ser mais inteligentes, mas correm maior risco de desenvolver doenças

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Um novo estudo mostrou que crianças filhas de homens mais velhos podem ser mais inteligentes, focadas no que interessa e menos preocupadas em se adequar. No entanto, esperar tanto para ter filhos pode aumentar as chances de mutações genéticas. Com informações do Daily Mail.

O estudo definiu como “mais velhos” homens acima dos 40 anos. Foram analisados cerca de 15.000 pares de gêmeos em qualidades relacionadas à inteligência (geek/nerd) enquanto tinham 12 anos. Os pesquisadores acreditam que as descobertas podem, em parte, ser devido ao facto de que ser “geek ou nerd” é uma característica hereditária. Logo, os pais mais velhos são mais propensos a se concentrarem em sua educação e carreira.

Há muitos benefícios para os pais mais velhos”, explicou Jeremy Davies, especialista em política social, de saúde e porta-voz do Fatherhood Institutel um grupo de apoio no Reino Unido. “Eles tendem a ser mais financeiramente seguros e são emocionalmente resolvidos”.

A média de idades dos homens que estão a ter filhos atualmente está a aumentar. Só no Reino Unido, a média agora é 33, cerca de quatro anos a mais do que o que ocorria há 40 anos.

Os problemas da paternidade tardia

No entanto, um estudo recente feito por pesquisadores de Harvard mostrou que, embora seja conhecido o fato de que as mulheres sofrem um declínio de fertilidade aos 30 anos, os homens também podem ter um “relógio biológico” que limita sua capacidade de reprodução à medida que envelhecem.

Os pais mais velhos são mais propensos a terem bebês prematuros, e esse risco é maior quando a idade do pai é mais avançada, de acordo com um estudo publicado em 2005 na revista Epidemiology. O nascimento precoce é acompanhado de maiores riscos de obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes.

 

Estudos têm demonstrado também que os genes do pai “mais velho” presentes no esperma podem criar uma placenta menos efetiva. Um pai de 30 anos, em média, passa 55 mutações – mudanças no DNA de um gene – para sua prole, e esse número é duplicado quando o homem atinge os 47 anos. Essas mutações podem levar à síndrome de Down, anemia falciforme (transtorno dos glóbulos vermelhos) e defeitos congênitos, como problemas cardíacos e fissura palatina, por exemplo.

Pesquisas publicadas em novembro de 2005 descobriram que homens com mais de 50 anos eram mais do que quatro vezes mais propensos a ter um filho com síndrome de Down em comparação aos pais mais jovens. Esta é uma das razões pelas quais as clínicas de fertilidade normalmente aceitam doações de esperma de homens com idades entre 18 e 41 anos.

Neste mesmo cenário, o risco de ter uma criança nascer como acondroplasia, um tipo de nanismo, sobe de um em 15.000 para um em 1.923 se o pai tiver mais de 50 anos.

Embora as causas exatas para o autismo, que afeta a forma como as pessoas se relacionam com os outros, ainda sejam desconhecidas, pode haver uma conexão com a idade paterna. Um estudo publicado em 2006 nos Archives of General Psychiatry descobriu que crianças nascidas de homens com mais de 40 anos tinham um risco seis vezes maior de desenvolver autismo, em comparação àquelas nascidas de homens com menos de 30. Contudo, as conclusões são questionáveis, uma vez que o autismo envolve muitos fatores, incluindo genética, meio ambiente e desenvolvimento do cérebro.

Condições como Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) também são mais comuns em crianças cujos pais são mais velhos. Um estudo publicado na revista JAMA em 2013, descobriu que as crianças nascidas de homens com mais de 45 anos tinham 13 vezes mais chances de serem diagnosticadas como TDAH do que as de homens com idades entre 20 e 24 anos.

Ainda, pesquisadores da Faculdade de Médicos e Cirurgiões da Universidade de Columbia, nos EUA, descobriram que os homens com mais de 50 anos são cerca de três vezes mais propensos a terem um filho com esquizofrenia em comparação aos homens com menos de 25.

As crianças concebidas por homens com mais de 40 anos também apresentaram um risco aumentado, de 14%, de desenvolver leucemia infantil, bem como um risco 70% maior de tumores cerebrais, de acordo com estudos. Ainda, se o pai tiver mais de 45 anos, há um aumento triplicado no risco de um câncer raro de olho chamado retinoblastoma.

Enquanto isso, as crianças do sexo feminino, filhas de pais mais velhos, tendem a sofrer um risco aumentado de desenvolver câncer de mama enquanto adultas, de acordo com estudos feitos nos EUA e publicados em 2014.

Uma equipe de médicos do City of Hope National Medical Center, na Califórnia, descobriu que mulheres cujos pais conceberam entre as idades de 30 a 34 anos, tinham um risco 25% maior de desenvolver câncer de endométrio (útero). Segundo os pesquisadores pode haver uma relação entre os pais mais velhos e risco de cânceres ligados a hormônios. O motivo, no entanto, ainda não está claro, mas pode ser que a redução do nível de hormônios resulte em alterações cromossômicas nos espermatozoides.

Outros factores positivos

Crianças filhas de pais mais velhos podem desfrutar de uma maior longevidade. Isso porque elas nasceram com telômeros – que protegem uma cadeia de DNA – mais longos. Então, quanto mais longos, maior a proteção que fornecem ao DNA e maior a longevidade.

A relação entre pais mais velhos e telômeros mais longos foi proposta em um estudo publicado em 2012 pela Proceedings of the National Academy of Sciences. “É interessante, mas o comprimento dos telômeros não determina sozinho quando morreremos” disse Christopher Barrat, professor de saúde reprodutiva na Faculdade de Medicina da Universidade de Dundee. “O meio ambiente e outros fatores também devem ser levados em consideração”.

Fonte: Jornal Ciência/BA

 

 

 

 

 

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