Covid-19. Encarregados chamados a colaborar para o regresso dos alunos às aulas

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A ministra da Educação, Luísa Grilo, pediu aos país e encarregados de educação a terem bom senso e a procurarem transmitir sentimento de segurança e confiança aos filhos no regresso às aulas.

O apelo foi feito durante a apresentação do actual Decreto Presidencial sobre a Situação de Calamidade Pública, que determina o reinício das aulas a partir do dia 5 de Outubro e o fim do ano lectivo para 31 de Março.

Luísa Grilo reconheceu que ainda existe algum receio e cuidados a serem cumpridos para se prevenir contra a pandemia, mas sublinhou que “não podemos parar as aulas. Têm trazido um prejuízo incalculável, não apenas às crianças, como, também, para a sociedade”.
A ministra da Educação disse ainda que existem muitas crianças fora do sistema de ensino e se as aulas não forem retomadas, no próximo ano não haverá vagas para outras ingressarem na escola.

“Os pais são aliados fundamentais para o regresso às aulas. Os sindicatos e a Associação dos Professores apoiaram nesta decisão, no sentido de remover qualquer tipo de obstáculo. Esperamos que os pais tenham bom senso em levar os seus filhos à escola, porque as avaliações ou provas serão presenciais”, disse.

A ministra sublinhou que o sistema de ensino a ser implementado será semi-presencial. Nos dias em que os alunos não tiverem aulas presenciais podem continuar a assistir pela televisão ou ouvir pela rádio, fazendo também alguns exercícios orientados pelos professores.
Garantiu que estão a ser criadas condições de biossegurança, no sentido de dotar as escolas com álcool-gel, termómetros para medir regularmente a temperatura dos alunos e professores.

Os professores vão passar a dar aulas com viseiras, testados com regularidade e as crianças obrigadas ao uso permanente de máscaras.
“Temos consciência que nem todas as escolas têm condições. Por esta razão, vamos começar de forma faseada com as escolas do ensino secundário do segundo ciclo, a 5 de Outubro, com alunos finalistas, ou seja, alunos da 6ª, 9ª, 12ª e da 13ª classes. No dia 19 retomam as restantes classes do ensino secundário. Só a 26 de Outubro é que prevemos o reinício para as crianças do ensino primário e do pré-escolar (iniciação) “, explicou.

Horários alterados

Luísa Grilo alertou que os esforços devem ser redobrados para melhorar as condições de ensino por isso, foi reforçada a organização das escolas. Explicou que os horários de aulas vão ser divididos por turnos rotativos, para garantir que as crianças permaneçam na escola durante duas horas e meia.
No ensino secundário, haverá turnos de três horas e meia. O objectivo é não manter muita gente na escola ao mesmo tempo. As turmas serão repartidas para garantir o distanciamento entre as pessoas dentro da sala de aula.

A ministra acrescentou que também foi introduzido o distanciamento entre as carteiras. O sistema de turnos vai permitir que os alunos não vão à escola todos os dias da semana, podendo cada grupo ir à escola ou duas ou três vezes por semana, de forma rotativa.

A nova metodologia de ensino permite que cada turma seja repartida em turnos, para garantir que todos tenham aulas presenciais, mas nos dias de folga vão ter aulas de forma semi-presencial, com exercícios para serem resolvidos em casa.
Não vai ser permitido intervalos, apenas uma pequena pausa de cinco minutos du-rante a mudança de professor ou disciplina, mas nenhum aluno vai sair da sala.

A ministra disse que o programa curricular foi refeito, permitindo uma selecção dos conteúdos obrigatórios, para garantir as condições de aprendizagem em função do tempo que resta, e garantir que as crianças tenham o mínimo de competências para concluir a formação.
As entradas e saídas das escolas serão feitas em portas diferentes, para não haver cruzamento entre os alunos. Luísa Grilo alertou que a subdivisão das turmas não pode ultrapassar os 30 alunos, o que significa, se o professor tiver 70 alunos deve repartir em três grupos, com aulas alternadas.

Água nas escolas

Luísa Grilo disse que o Governo criou uma equipa conjunta, entre os Ministérios da Energia e Águas e da Saúde, em parceria com as administrações municipais para o fornecimento de água em todas as escolas.
Referiu que o abastecimento de água vai garantir a higienização das mãos de todas as pessoas que frequentarem as escolas, para garantir que se cumpram as medidas de biossegurança.

A ministra afirmou que já foram distribuídas nas escolas do segundo ciclo o dispensador para colocar o álcool-gel, de forma a evitar que as pessoas peguem nos frascos, bem como viseiras para os professores que serão distribuídas de forma gratuita.
Luísa Grilo anunciou a possibilidade de o Executivo suspender as aulas caso os números da Convid-19 continuem a subir, tal como tem acontecido noutros países.

Antes de ser tomada a decisão do regresso às aulas, assegurou a ministra, a Inspecção do Ministério da Educação visitou as escolas de Luanda para constatar as reais condições, tendo sido observado que as do ensino primário e segundo ciclo têm mais dificuldades.
Quanto a pagamento de proprias, a ministra disse tratar-se de um assunto que está a ser avaliado pelo Ministério das Finanças, que brevemente, vai pronunciar-se sobre as novas formas de liquidação.

Sinprof manifesta pessimismo

Alexa Sonhi

O presidente do Sindicato Nacional dos Professores (Sinprof) afirma que cerca de 95 por cento das escolas públicas do país estão sem condições de higienização e de biossegurança para garantir um arranque seguro do reinício das aulas, no dia 5 de Outubro.
Ao reagir ao anúncio do reinício do ano lectivo,Guilherme Silva considerou que apenas algumas escolas do segundo ciclo do ensino secundário, politécnicas e orçamentadas têm as mínimas condições para receberem os alunos e os professores com alguma segurança. O sindicalista realçou que nas demais escolas públicas, a situação é lamentável, sublinhando que são os próprios professores que levam, a partir de casa, bidões de água e sabão, no sentido de assegurarem a lavagem das mãos enquanto estiverem dentro do recinto escolar. “Nestas condições, não podemos acreditar que estamos bem para receber de volta os alunos. Não temos nenhuma garantia de segurança nem de biossegurança para avançarmos já”, disse Guilherme Silva.
O presidente do Sinprof avançou que a maior parte das escolas do país não têm água corrente, muito menos empregadas de limpeza, daí que a higienização era assegurada pelos alunos, sob coordenação de professores. Com o surgimento da Covid-19, acredita que os estudantes não podem fazer isso, por causa dos riscos.
Defendeu que o Ministério da Educação deve informar, fundamentalmente, quem vai passar a limpar as escolas, fornecer o material de biossegurança como álcool-gel, sabão, água e viseiras. “Quando é que esses materiais vão chegar às escolas mais recônditas dos municípios do Cunene e do Cuando Cubango”?, questionou.
Guilherme Silva diz ter levantado tal questão para ilustrar a gravidade da situação do ensino no país, uma vez que os próprios manuais escolares não chegam às escolas mais distantes e, muitas vezes, quando isso acontece já o ano lectivo está a terminar.
Outra preocupação de Guilherme Silva tem a ver com o facto de algumas escolas disporem de turmas com perto de 100 alunos, salas sem carteiras e com crianças a sentarem no chão, compartimentos sem portas nem janelas que permitam uma boa ventilação.
Guilherme Silva afirmou que o Sinprof não está contra a decisão do Executivo sobre o regresso às aulas. Referiu que a volta às escolas, para sessões lectivas presenciais com regularidade, é cientificamente o melhor método de ensino e aprendizagem. Apesar disso, o sindicalista explica que a preocupação deve-se ao facto de o retorno às aulas pressupor a criação de condições de biossegurança em todas as escolas no país, o que, ainda, não se vê nem a 50 por cento.
A faltarem três semanas para a reabertura das escolas para aulas presenciais, o presidente do Sinprof mostrou algum pessimismo, que as condições de biossegurança sejam asseguradas em todas as escolas do país.

Colégios têm condições criadas

Alexa Sonhi

Se o Sinprof diz que as escolas públicas não dispõem de condições para o arranque das aulas, o presidente da Associação Nacional do Ensino Particular (ANEP) garante que mais de 70 por cento dos estabelecimentos privados estão preparados para reabrir as portas.
António Pacavira explicou que a grande maioria dos mais de mil colégios registados pela associação tem preparadas as condições de biossegurança desde finais de Junho, um mês antes da anterior previsão de retoma das aulas (13 de Julho), que não chegou a acontecer por conta do aumento de casos da Covid-19 no país.

António Pacavira realçou que, nessa data, os inspectores do Ministério da Educação efectuaram visitas aos colégios e deixaram certificados de garantia de que havia condições para essas instituições receberem os professores e alunos com alguma segurança.
“No quadro dessa preparação, as salas ficaram reduzidas entre 12 e 15 alunos cada, uma vez que as turmas são constituídas por 25 a 30 estudantes, viu-se a questão do espaçamento das carteiras, arejamento, lavagem das mãos com frequência, limpeza dos pés ou de calçados, uso do álcool-gel e a distância dentro dos transportes escolares”, referiu.

Tendo em conta o adiamento, o presidente da ANEP frisou que os colégios aproveitaram a paragem para melhorando cada vez mais as condições de biossegurança. “Estamos prontos para avançar”, gabou-se. Para António Pacavira, neste momento é importante que “o Estado separe o trigo do joio”, permitindo apenas a abertura de colégios que têm as condições preparadas. Para as demais, recomenda que se exija melhorias, um trabalho de vistorias que garante poder contar com a parceria da ANEP. “E, isso, vale também para as escolas públicas, porque cada director ou gestor escolar tem de ser um líder, deve trabalhar com a Comissão de Pais e ajudar o Estado na criação de condições de biossegurança, para que possamos todos enviar os nossos filhos às escolas com segurança”, salientou.

O presidente da ANEP fez saber que a associação tem contactos com vários fornecedores de material de biossegurança e, por esta via, os instrumentos de protecção à Covid-19 chegam aos colégios, num valor mais baixo, o que permite que essas instituições equilibrem as contas com a aquisição desses bens. Neste âmbito, até finais de Junho, a ANEP enviou material de biossegurança para o Sul do país, beneficiando os associados do Bié, Huambo, Namibe, Cunene. Mas, outras províncias já tinham recebido os referidos produtos, faltando apenas Cabinda.
António Pacavira assegurou que, com o anúncio do retorno das aulas no mês de Outubro, os professores dispensados voltarão a ser chamados, a partir do momento em que o Ministério da Educação fizer a distribuição do calendário escolar e do novo plano curricular, que prevê a redução de disciplinas.

Fonte: JA

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