Circulação de comboios sob risco de interrupção

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Os trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) reúnem-se amanhã para tomar uma posição face à alegada incapacidade da empresa de satisfazer as suas reclamações, contidas num caderno reivindicativo em posse do Conselho de Administração, anunciou, no sábado, o primeiro secretário do Sindicato Independente dos Ferroviários de Angola.

José Carlos, que falava à Rádio Ecclesia, revelou que o caderno reivindicativo entregue ao Conselho de Administração da empresa comporta 21 pontos, que se resumem, no essencial, na melhoria das condições de trabalho, revisão da tabela salarial e actualização das categorias laborais.
Sem avançar a data da entrega do caderno reivindicativo à entidade empregadora, José Carlos disse que o mesmo “não foi respondido a tempo”, razão pela qual  o sindicato endereçou uma carta ao Conselho de Administração a pedir a abertura de um diálogo sobre a matéria.
“Quando fomos recebidos pelo Conselho de Administração, pensávamos que seria o início das negociações”, disse o líder sindical, lamentando que tivessem sido recebidos com uma narrativa sobre situação financeira da empresa. “Fomos informados que a empresa não tem condições para satisfazer o caderno reivindicativo, por  alegadamente não facturar o suficiente para cobrir as  necessidades, que são supridas em grande parte pelo subsídio operacional que  recebe do Ministério das Finanças”, referiu.
Para o sindicato, a resposta da direcção não colhe. “Quando o Presidente do Conselho de Administração diz que não há dinheiro, nós até entendemos mas, tratando-se de uma empresa pública, o nosso apelo é extensivo ao ministério de tutela”, observa José Carlos.
O líder sindical relata casos de “colegas que perderam os dedos” em acidentes de trabalho, por falta de equipamentos, tais como luvas, capacetes e botas, e de outros que contraíram infecções pulmonares devido às más condições de trabalho.
Na reunião de amanhã, segundo o secretário para os Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Ferroviários de Angola, Dias Kinquela, os trabalhadores devem optar entre continuar a trabalhar nas condições actuais ou partir para a greve.
Ouvido, também pela Rádio Ecclesia, o presidente do Conselho de Administração do CFL, Júlio Bango, disse não compreender as razões que levam o sindicato a falar em greve, quando estão em curso negociações à volta do caderno reivindicativo.
Assumiu, no entanto, que o Caminho-de-Ferro de Luanda “é uma empresa deficitária”, que depende do subsídio operacional que o Estado dá, associado às poucas receitas que obtém mensalmente. “Não tem tantas possibilidades como os trabalhadores pensam”, rematou.
Dados disponíveis indicam que ao longo do “hinterland” servido pelo Caminho de Ferro de Luanda vivem e trabalham cerca de nove milhões de pessoas. Uma  eventual interrupção da circulação de comboios teria reflexos negativos nas províncias de Luanda, Cuanza-Norte e Malanje.

Fonte: JA/BA

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