Chivukuvuku solicita intervenção do TC

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Abel Chivukuvuku solicitou ontem ao Tribunal Constitucional um esclarecimento sobre a legalidade da decisão de cinco partidos políticos que integram a Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) de afastá-lo da presidência do projecto político.

Aquilo foi um anúncio em conferência de imprensa, e não passou disso. Em termos de procedimento, há actos próprios de ordem legal. Logo, deve ser o tribunal a decidir. Vou aguardar serenamente até que o tribunal se pronuncie sobre o assunto”, disse o político à Rádio Nacional de Angola (RNA).

Abel Chivukuvuku lembrou que o acórdão do Tribunal Constitucional de 2017 é esclarecedor em relação à presidência da CASA-CE. “É o tribunal que tem de voltar a declarar quem preside a coligação e não um grupo de militantes. Só espero que a situação seja resolvida de forma civilizada, cívica e séria”, disse.

Dissidente da UNITA para formar a coligação política, Abel Chivukuvuku lamentou o facto de “um projecto político, como a CASA-CE, que transmitiu esperança aos cidadãos, foi um balão de ar fresco na vida política angolana, em certa medida dinamizou a juventude no sentido de participar no processo político angolano, hoje vive esse momento”.”No entanto, como ser humano, tenho de reconhecer que, na vida, quando as coisas são pequenas ninguém liga, mas a ‘casa’ ficou grande e hoje todos a querem”, afirmou.

Abel Chivukuvuku desdramatiza o seu afastamento da CASA-CE por considerar que “o mais importante na vida não são os títulos ou função, mas aquilo que cada um tem na sua cabeça”. “Os ciclos mudam, as funções também, mas aquilo que está na cabeça ninguém pode tirar. Não estou apego às funções porque sou um servidor do país e vou continuar a servir o povo e o país. Vou continuar na política”, reforçou.

Abel Chivukuvuku disse que não comenta o facto de ter sido escolhido André Mendes de Carvalho “Miau” pelo grupo dos cinco partidos, para assumir a presidência do projecto, porque “a decisão não tem ainda respaldo legal”.

O político negou que tenha sido ele e “Miau” os mentores do projecto político CASA-CE. “Não sei se é correcto dizer que fomos os dois os mentores. Basta ver que, de 2012 a 2017, quem andou pelas províncias, quem falou com os cidadãos, quem transmitiu confiança aos cidadãos, isto diz a realidade das coisas. O resto não me preocupa”, disse, acrescentando que “o que me preocupa é Angola e é para Angola que me vou dedicar sempre”.

Questionado se, em 2022, vai ser o cabeça de lista da CASA-CE ou apoiar outra formação política, Chivukuvuku disse – lacónico -: “estarei no jogo político. Como? Só Deus sabe”.

“Miau” confirma posse

O deputado da CASA-CE, André Mendes de Carvalho “Miau”, confirmou que vai tomar posse na próxima semana. “Aí serei mais extensivo, esclarecendo toda essa situação. Por ora, apenas dizer que fui indicado e aceitei a indicação”, disse o parlamentar à RNA.

“Bloquistas” contra

Justino Pinto de Andrade, presidente do Bloco Democrático, está contra a decisão tomada pelos cinco partidos que integram a coligação de afastar Abel Chivukuvu. Citado pela RNA, o político anunciou que os “bloquistas” marcaram uma reunião da comissão política para analisar a situação e tomar uma posição.

No Cuando Cubango, militantes da coligação apoiam o afastamento de Abel Chivukuvuku. Numa mensagem, o secretário provincial adjunto, Anacleto Guimarães, disse que os militantes apoiam o presidente indicado, por “não se reverem nos planos de Abel Chivukuvuku para a coligação”. Outro apoio dos militantes pelo afastamento de Abel Chivukuvuku veio do Zaire.

A CASA-CE foi fundada em Abril de 2012 e, desde a sua criação, é liderada por Abel Chivukuvuku. São membros da coligação o Partido de Aliança Democrática para o Desenvolvimento de Angola – Aliança Patriótica (PAD-DA-AP), Partido de Aliança Livre de Maioria Angolana (PALMA) e o Partido Pacífico Angolano (PPA).Fazem ainda parte da CASA-CE o Partido Nacional de Salvação de Angola (PNSA), Partido Nacional para o Progresso e Aliança Nacional de Angola (PDP-ANA) e o Bloco Democrático (BD).

Fonte: JA/LD

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