Brasil. PGR quer processo contra ministro da Saúde por colapso de Manaus

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O pedido ao Supremo Tribunal Federal foi feito pelo procurador-geral, Augusto Aras, que considerou procedentes as denúncias apresentadas por diferentes partidos políticos contra Pazzuello, pela sua alegada omissão no combate ao coronavírus na maior cidade da Amazónia brasileira.

De acordo com as denúncias da oposição, o ministro teve conhecimento com vários dias de antecedência de que o sistema sanitário de Manaus entraria em total colapso por falta de camas e de oxigénio para atender os doentes com covid-19, e não adotou qualquer medida para evitar o agravamento da situação.

“Tendo em conta a situação calamitosa de Manaus, o procurador-geral considerou necessária a abertura de um processo para investigar os factos”, indicou a Procuradoria num comunicado, no qual explica o pedido ao Supremo Tribunal.

Segundo o comunicado, o pedido foi feito depois de o próprio procurador ter ouvido as explicações do ministro e não as ter considerado suficientes.

O ministro admitiu, num relatório enviado à Procuradoria-Geral, que a empresa White Martins, responsável pelo abastecimento de oxigénio hospitalar no estado do Amazonas, alertou o Ministério da Saúde, em 08 de janeiro, de que não tinha capacidade para responder à elevada procura de oxigénio.

Apesar do alerta, o Ministério da Saúde só em 12 de janeiro colocou em marcha uma operação para enviar oxigénio para Manaus, em aviões militares, e mesmo assim em quantidade insuficiente para evitar o colapso que se deu a partir de 14 de janeiro, quando parte dos doentes ligados a máquinas começou a morreu por asfixia por falta do oxigénio.

No pedido ao Supremo o procurador pede que o tribunal convoque o ministro para ser interrogado e que envie a denúncia à Polícia Federal, para que esta adote as medidas de investigação que considere necessárias.

O colapso sanitário de Manaus, que elevou significativamente as mortes por covid-19, obrigou o Governo brasileiro a montar uma operação para transportar dezenas de doentes com covid-19 para outras cidades e fornecer oxigénio para a cidade em voos diários de aviões militares.

Apesar de ser um dos estados com menor densidade populacional do Brasil, o Amazonas acumula até agora 7.051 mortes e 248.561 contágios por covid-19.

O número de enterros nos cemitérios de Manaus chegou ao recorde de 1.333 nos primeiros 20 dias de janeiro.

O Brasil, com 210 milhões de habitantes, é o segundo país do mundo com mais mortes por covid-19, depois dos Estados Unidos.

Os últimos números oficiais indicam que já morreram 216.445 pessoas, de um total de 8,8 milhões de infeções.

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