Bióloga alerta para risco de extinção de espécies marinhas

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A bióloga Carmem Santos disse hoje (quinta-feira), em Luanda, que a captura, a destruição dos ninhos para o consumo dos ovos e comercialização de derivados de espécies marinhas, são fenómenos que colocam em risco o ecosistema marinho.

Falando em alusão ao 8 de Junho, Dia Mundial dos Oceanos, a professora apontou a incidência de luz artificial nas áreas de desova, provocando a desorientação dos animais, e a expansão urbana como outros aspectos que perigam o ecossistema marinho.

Carmem Santos fez saber que mais de 70 porcento dos peixes são pescados em excesso. “As reservas de atum, bacalhau e peixe-espada foram reduzidas em 90 porcento no último século, 80 porcento da poluição marítima tem a sua origem fora dos mares e a situação tende a piorar nos próximos anos, como é previsto, com cerca de 80 porcento da população mundial a viver perto dos litorais (em um raio de 100 km)”, explicou.

A bióloga acrescentou que o tráfego marítimo desregrado, poluição das praias com lixo urbano e industrial, bem como derrames, ruídos e vibrações resultantes da exploração petrolífera constituem outros elementos que perigam as espécies marinhas e danificam os oceanos, afectando o ambiente de uma forma geral.

“A pesca desenfreada, usando redes de arrasto e o despejo de lixo tóxico, a matança e exploração dos mamíferos marinhos, aumento da temperatura e nível dos mares, acidificação dos oceanos, provocados pelas alterações climáticas, constituem novas ameaças à vida marinha”, acrescentou.

Entretanto, a professora universitária disse que a efeméride representa uma oportunidade para reconhecer os desafios consideráveis que se enfrenta no que se refere a proteger vida marinha, regular o clima mundial, fornecer serviços do ecossistema essenciais, proporcionar meios de vida sustentáveis e actividades recreativas seguras.

Os oceanos, prosseguiu a professora, contribuem para a regulação do clima dando origem à maior parte da precipitação, regulam os padrões de ventos e temperaturas e são responsáveis pela prestação de inúmeros serviços.

Entre estes destacam-se a produção de oxigénio, o fornecimento de alimento através da pesca, a protecção costeira e a disponibilização de recursos não alimentares e de oportunidades de recreação.

Por isso, a bióloga acrescentou que apesar da sua extrema importância os oceanos encontram-se actualmente ameaçados sob a pressão não só da sobre pesca, pesca excessiva de algumas espécies, mas também de fenómenos como a destruição de habitat, poluição e a introdução de espécies exóticas invasoras, a que se associou recentemente o aquecimento global.

O Dia Mundial dos Oceanos tem sido celebrado desde a Conferência das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento, que se realizou no Rio de Janeiro em 1992.

Em 2008, por intermédio da resolução A/RES/63/111, de 5 de Dezembro, a Assembleia-Geral das Nações Unidas decidiu que, a partir de 2009, o dia 8 de Junho fosse designado Dia Mundial dos Oceanos pelas Nações Unidas.

Este reconhecimento oficial reveste uma oportunidade para aumentar a consciência mundial para os desafios que se deparam à comunidade internacional na sua relação com os oceanos.

A campanha “salvemos os nossos mares” foi celebrado pela primeira vez nos Estados Unidos da América para celebrar esta data.

Fonte: ANGOP/BA

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