Aumento da ajuda do FMI revela confiança nas reformas económicas

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Dois economistas contactados pelo Jornal de Angola para comentar o aumento da assistência financeira de 3,7 para 4,5 mil milhões de dólares, decidida quarta-feira pelo FMI a favor de Angola, coincidiram em que a medida revela confiança e uma avaliação positiva nas reformas, mas não reverte as previsões negativas da evolução económica do país.

Para o administrador não executivo do Banco Yetu Fernando Vunge, a decisão do FMI, além de prover recursos adicionais para financiar as reformas, representa um aval para a atracção de Investimento Directo Estrangeiro, por constituir uma das referências que as principais agências de “rating” usam para emitir pareceres aos investidores internacionais.

De acordo com o economista também ligado à docência universitária, as avaliações do FMI funcionam como barómetros para as agências de classificação de risco, podendo melhorar a visibilidade externa do país e introduzir novos parâmetros a considerar nas próximas avaliações. Isso é diferente das previsões de crescimento, que não são alteradas com a decisão e permanecem ancoradas às incertezas do mercado petrolífero e agravadas pelo contexto da pandemia da Covid-19, bem como à necessidade da observância da sustentabilidade da dívida pública e outros riscos financeiros associados.

Juvelino Domingos, director de Contabilidade e Finanças do BAI, prevê que a associação da inclusão de Angola na Iniciativa de Suspensão do Serviço da Dívida (DSSI) à decisão da elevação do financiamento do FMI “vai permitir ao Governo maior margem de manobras para enfrentar os desafios gerados pela pandemia e recessão económica”.

A questão a colocar é em que medida as duas decisões complementares são suficientes, uma vez que tudo depende da magnitude dos benefícios e das condições da DSSI, bem como da forma como o Executivo vai gerir estes benefícios. Juvelino Domingos insisteem que, apesar da decisão do FMI, as previsões sobre a evolução da economia angolana continuarão negativas este ano, tendo em conta a magnitude do impacto da pandemia da Covid-19 e as oscilações do preço do petróleo.

Os dois economistas foram instados por este jornal a comentar a decisão do Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovar um pedido do Governo para o aumento da assistência financeira, desembolsando de imediato mil milhões de dólares do Programa de Financiamento Ampliado (EFF, sigla inglesa) de 3,7 mil milhões de dólares e elevando o total do programa para quase 4,5 mil milhões de dólares.

“A decisão do conselho de administração permite um desembolso imediato de mil milhões de dólares para Angola e um aumento de cerca de 765 milhões de dólares até ao fim do programa, para quase 4,5 mil milhões de dólares, anunciou o FMI em comunicado na quarta-feira. A nota acrescentou que “a economia de Angola foi duramente atingida por um choque multifacetado com origem na pandemia da Covid-19 e no declínio dos preços do petróleo”.
“As autoridades adoptaram medidas atempadas para lidar com os desafios e continuam firmemente empenhadas” no cumprimento do programa, que tem sido “implementado de forma geralmente satisfatória”, considerou a instituição financeira.

No comunicado de imprensa que acompanha o anúncio, o FMI explica que esta terceira avaliação positiva da ajuda financeira dada ao abrigo do Programa de Financiamento Ampliada permite o desembolso de mais mil milhões de dólares, perfazendo cerca de 2,5 mil milhões de dólares já entregues desde a assinatura do acordo, em 7 de Dezembro de 2018.

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