Após a invasão do Capitólio, Colin Powell diz que já não é republicano

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Colin Powell, uma das figuras mais importantes no seio do Partido Republicano e que fez parte de várias administrações norte-americanas, afirmou este domingo durante uma entrevista à CNN que já não é republicano na sequência da invasão do Capitólio, que foi incitada pelo presidente Donald Trump.

O antigo secretário de Estado na administração de George W. Bush criticou os membros do Partido Republicano por apoiarem o comportamento de Trump.

“Eles apoiaram-no, e é por isso que já não me posso considerar um republicano. Não sou membro de nenhum partido agora. Sou apenas um cidadão que votou nos republicanos, e que votou nos democratas durante toda a minha carreira. Agora, estou apenas atento ao meu país, sem estar preocupado com partidos”, frisou durante o programa ‘GPS’ de Fareed Zakaria.

Colin Powell fez críticas ainda mais contundentes aos republicanos, acusando-os de colocarem os seus interesses políticos à frente dos interesses dos americanos.

Eles deviam saber melhor, mas foram tão levados pela sua posição política e pela forma como nenhum deles quis colocar-se em risco político. Não se ergueram para dizer a verdade ou criticá-lo (Trump) ou outros. E é disso que precisamos. Precisamos de pessoas que vão dizer a verdade, que se recordem que estão ali pelos nossos cidadãos. Estão ali pelo nosso país, não para serem simplesmente reeleitos”, sublinhou o antigo secretário de Estado.

A posição de Powell realça a divisão no Partido Republicano entre a ala do chamado ‘establishment’ do partido e a ala mais próxima de Trump. Ao longo dos anos, Colin Powell fez várias críticas a Trump. Nas eleições de 2016 votou contra o candidato republicano e nas eleições de 2020 assumiu o voto em Joe Biden.

Com a maioria democrata na Câmara dos Representantes a avançar com novo processo de ‘impeachment’, a menos que o vice-presidente, Mike Pence, invoque a 25ª emenda para remover Donald Trump do poder, Colin Powell referiu que votaria a favor da destituição de Trump se estivesse no Senado.

“Tê-lo-ia feito na última vez se tivesse tido a oportunidade”, assegurou, numa alusão ao processo de ‘impeachment’ rejeitado no Senado no ano passado, relacionado com a coação de Trump ao seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenskiy. O presidente norte-americano condicionou a canalização de fundos para a Ucrânia a uma investigação de Kiev a Joe e a Hunter Biden.

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