Angola pretende reduzir taxa de transmissão de VIH

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Angola pretende reduzir, até 2021, a taxa de transmissão do VIH de mãe para filho de 26 por cento – a mais alta da África subsariana- para 14 por cento, declarou ontem, em Luanda, a Primeira-Dama da República, Ana Dias Lourenço.

Ana Dias Lourenço falava na apresentação do plano operacional no quadro da campanha “Nascer Livre para brilhar”, que contou com a presença das esposas dos governadores provinciais, embaixadores do projecto e parceiros.

Acrescentou que o país regista baixa cobertura dos serviços de prevenção da transmissão vertical. Por esta razão, sublinhou, Angola foi incluída entre os 22 países prioritários para a eliminação da transmissão do VIH da mãe para o filho em 2030.
Citando dados do Ministério da Saúde, a Primeira –Dama disse que existem no país 650 unidades sanitárias que oferecem o programa de prevenção de transmissão do VIH da mãe para o filho. Apesar dessa oferta de serviços, enfatizou, em 2017 apenas 40 por cento fez a primeira consulta pré-natal durante o primeiro trimestre da gravidez e 18 por cento não fez nenhuma consulta.
Acrescentou que 70 por cento de mulheres declarou ter enfrentado problemas de acesso aos cuidados de saúde, como a necessidade de autorização para ir a consulta, distância do centro de saúde e problemas financeiros .
Estima-se que apenas 34 por cento das mulheres grávidas que vive com VIH recebe terapia com anti-retrovirais, para evitar a transmissão do VIH da mãe para o filho. Quanto ao tratamento pediátrico, Ana Dias Lourenço informou que apenas 14 por cento das crianças dos 0 aos 14 anos que vive com VIH está em tratamento com anti-retrovirais.
O estigma, a discriminação, a não-aceitação e a falta de conhecimento sobre o vírus são apontados como outras causas da não aceitação e tratamento da doença.
Ana Dias Lourenço admitiu que as estatísticas são preocupantes. Além de pretender reduzir a taxa de transmissão do VIH de mãe para o filho, a campanha “Nascer Livre para Brilhar” tem também o objectivo de aumentar a utilização de preservativos pelos jovens dos 15 aos 24 anos e melhorar a qualidade dos cuidados pediátricos até 2021.
Ana Dias Lourenço acrescentou que para se atingir os objectivos propostos, foi elaborado um plano operacional com actividades orçamentadas e metas bem definidas, com participação das entidades locais de saúde, segundo a realidade concreta de cada província.“É nossa obrigação consciencializar a população e as famílias, em particular as mulheres em idade fértil, grávidas, adolescentes e jovens sobre o que pode ser feito para prevenir a transmissão do VIH de mãe para o filho. Por isso, vamos abordar o estigma e a discriminação nas escolas, igrejas e na comunidade, porque fazem com que muitas grávidas não beneficiem dos serviços de saúde disponíveis”, advogou.

310 mil pessoas infectadas

Ao apresentar o Plano Operacional da Prevenção de Transmissão do VIH de mãe para o filho 2019-2021, a directora do Instituto Nacional de Luta contra a Sida (INLS), Lúcia Furtado, disse que em Angola existem cerca 300 mil pessoas que vivem com VIH.
Deste número, 190 mil são mulheres e destas, 21 mil estima-se que sejam gestantes seropositivas e 120 mil crianças dos zero aos 14 anos.

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