Angola apela ao respeito pelo acordo de paz na RCA

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O ministro das Relações Exteriores, Téte António, apelou, ontem, aos actores políticos da República Centro-Africana a trabalharem para a plena implementação do Acordo Político para a Paz e a Reconciliação (APPR-RCA), com vista a garantir ao povo centro-africano o direito soberano ao voto.

Téte António discursava, em representado do Presidente João Lourenço, na décima sessão extraordinária de Chefes de Estado e de Governo da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC), decorrida por videoconferência.
Na ocasião, exortou a todos os actores políticos na RCA a cessarem as hostilidades urgentemente e a trabalharem em conjunto para garantir as condições favoráveis à realização, hoje, de eleições credíveis, inclusivas, pacíficas e transparentes.
Este apelo já tinha sido feito, na quinta-feira, pelo Chefe de Estado, na qualidade de presidente em exercício da Conferência Internacional da Região dos Grandes Lagos.

Reiterou que as eleições continuam a ser a única via legítima de acesso ao poder, em conformidade com a Constituição da RCA , as normas e princípios internacionais, continentais e regionais.
O chefe da diplomacia angolana exortou as partes a resolverem qualquer diferendo de forma pacífica, no interesse do povo centro-africano que “sofre há muito tempo devido ao conflito e instabilidade”.

Angola, segundo Téte António, reitera o apoio total às instituições legítimas da RCA. Na qualidade de presidente em exercício da CIRGL, apoia a CEEAC e a Missão Multidimensional integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA).
O país apoia, igualmente, os demais parceiros da RCA, no âmbito da cooperação bilateral e multilateral, no sentido de encontrar uma saída imediata do conflito e garantir a realização das eleições neste país, nos prazos constitucionalmente estabelecidos.
O ministro angolano apresentou condolências ao Governo do Burundi que perdeu alguns dos seus efectivos que integram a MINUSCA.

A Cimeira, disse, surgiu num momento muito difícil para o povo centro-africano, devido às graves ameaças à paz e segurança humana, provocada por novos ataques de grupos armados. Apelou à vontade colectiva da comunidade internacional, continental e regional no sentido de solidarizarem-se com a situação da RCA.

Téte António felicitou o Chefe de Estado congolês e presidente em exercício da CEEAC, Denis Sassou Nguesso, pela iniciativa de convocar e proporcionar as condições para a realização da Cimeira. Acredita que o encontro dará contribuições importantes para o reforço da estabilização da situação política e de segurança na RCA.

Comunidade internacional deve falar a uma só voz

O ministro das Relações Exteriores, Téte António, defendeu, sexta-feira, em Luanda, que “a comunidade internacional deve falar a uma só voz” para a solução da situação na República Centro-Africana.
Em entrevista à Rádio França Internacional, Téte António criticou, sem citar nomes, alguns países africanos que apoiam os rebeldes com a venda de armas.

“Nós, continente africano, por exemplo, temos de rever certos procedimentos. O Governo centro-africano está sob embargo de armas, mas os rebeldes compram armas à vontade. O Governo fica com as mãos atadas. Penso que tem de se rever esta filosofia do embargo contra um Governo. Temos apelado ao fim desse embargo na RCA”, defendeu.

Téte António acrescentou que há quem defenda que se se levantar o embargo contra o Governo da venda de armas, estas podem ir parar às mãos dos rebeldes, “mas a verdade é que estes não precisam desses meios oficiais para obterem-nas”.
Considerou que os grupos rebeldes na RCA há muito que têm a intenção de desestabilizar o processo eleitoral no país, mas acredita que as eleições presidenciais e legislativas marcadas para hoje podem ter lugar. “São grupos que tinham já intenções de desestabilizar o processo muito antes dele ter lugar.

Estamos a ver o activismo do antigo Presidente (François) Bozizé (cuja candidatura às eleições presidenciais foi rejeitada). Sabemos em que condições regressou a Bangui. Mesmo com mandados de captura internacionais, voltou de forma tão misteriosa. Ele nunca, de facto, o processo eleitoral como tal”, disse.

Ao referir-se à atitude dos rebeles, o chefe da diplomacia angolana defendeu que o futuro do continente não deve continuar a ser adiado “por indivíduos que nem sequer olham para o sofrimento do seu povo”.

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