Ambiente investiga surgimento de jacarés em áreas de Viana

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A Unidade de Crimes Ambientais está a trabalhar para apurar as razões do constante aparecimento de jacarés em zonas residenciais do município de Viana, em Luanda, depois de várias denúncias de cidadãos sobre a existência desta espécie em algumas lagoas da urbe, soube o Jornal de Angola.

O chefe de Operações da Unidade de Crimes Ambientais do Ministério do Ambiente disse que a instituição que dirige tem informações que dão conta da existência de resorts e quintais, em algumas zonas de Viana, que procedem à criação de animais sem os mínimos cuidados.
Além de alertar para a necessidade de se legalizar a actividade, António Lopes foi peremptório em afirmar que a criação dessa e de outras espécies, sem a devida autorização das autoridades é crime, tendo chamado a atenção para quem não tenha capacidade de criar animais, no sentido de levá-los de volta ao seu habitat.
Segundo moradores contactados pelo Jornal de Angola, recentemente foi visto na rua da Suave, no Distrito Urbano da Estalagem, em Viana, um jacaré de aproximadamente dois metros de comprimento, que levou mais de 15 dias para ser resgatado, graças à pronta intervenção dos moradores da zona, que não só denunciaram às autoridades a existência do animal, como também participaram na sua captura.
O chefe de Operações da Unidade de Crimes Ambientais considerou o surgimento de jacaré naquela zona de Viana, como caso inédito pelo facto de a área onde foi encontrado o réptil não possuir condições para a sua sobrevivência.

Recolher obrigatório

Os habitantes do bairro do Quilómetro 14 A, do Distrito Urbano da Estalagem, viveram durante o mês Julho, altura que começaram a surgir relatos da presença desse animal, momentos de muita agitação, tendo criado pânico, o que levou a aplicar uma espécie de “recolher obrigatório”. Américo Tomas, 50 anos, residente há mais de dez anos no bairro, disse que “as pessoas não andavam a vontade, com medo de serem devorados pelo jacaré, que impôs um recolher obrigatório”, levando alguns moradores a montar barricadas nas ruas durante o período nocturno.
“Tivemos de nos precaver para não sermos surpreendidos pelo animal que se encontrava a monte nesta lagoa situada numa quinta abandonada”, disse Américo Tomas, que considerou o caso anormal, mais semelhante a um mito, porque não existem condições no local para a sobrevivência de jacarés. O coordenador do bairro Quilometro 14 A, Miguel Vieira, disse que tinha recebido nos últimos dois meses denúncias de alguns moradores, mas alem de relacionar a informação a um possível boato, acreditava tratar-se de “um mito”.
Ante à insistência dos moradores que confirmavam a presença do réptil na zona, a coordenação do bairro solicitou a intervenção da Administração da Estalagem, que disponibilizou uma motobomba para a sucção da água da lagoa, não tendo sido encontrado vestígios do animal.
Uma semana depois, conta Miguel Vieira, a coordenação do bairro voltou a receber denúncia de um morador, alegando que um cidadão chinês que morava próximo da lagoa criava jacarés no seu quintal.
Um grupo técnico constituído por elementos do Ministério Ambiente, Serviço de Protecção Civil e Bombeiros e da Administração local deslocou-se à residência do expatriado asiático e nada foi consumado, levando o chinês a desafiar, com o pagamento de 500 mil kwanzas, a quem viesse a achar o animal no seu espaço.

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