A juíza “heroína” que assinou “sentença de morte” a Larry Nassar

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O antigo médico da equipa de ginástica do Estados Unidos da América, Larry Nassar, foi condenado a uma pena entre 40 a 175 anos de prisão por crimes de abusos sexuais, cometidos ao longo de 20 anos, a dezenas de atletas que estavam ao seu cuidado.

A proferir a sentença, e a dar voz às vítimas do abusador, estava a juíza Rosemarie Aquilina, que não se coibiu de expressar os seus sentimentos e de manifestar o seu apoio para com todas as jovens que testemunharam.

Recorde-se que, na última semana, um total de 156 ginastas foram ouvidas em tribunal, acusando Nassar, de 54 anos, de as ter molestado, por vezes na presença dos pais, ao esconder os abusos sob a falsa pretensão de estar a aplicar tratamentos a lesões sofridas pelas atletas.

Rosemarie Aquilina, de 59 anos, com um tom de voz monocórdico e calmo, depositava nas palavras o desprezo para com Larry Nassar.

Esta intolerância viu-se reforçada com cada um dos 156 testemunhos feitos ao vivo pelas vítimas, numa decisão da juíza que não só servia como uma espécie de expiação da dor das jovens (“Vocês são fortes e corajosas”, “Deixem a vossa dor aqui”, dizia-lhes) como obrigava todo o mundo a testemunhar, sem O ex-médico acusou a pressão dos testemunhos que ouviu logo ao segundo dia de audições, escrevendo uma carta à juíza onde pedia dispensa deste processo. “Não sei se vou conseguir ouvir mais um dia de declarações, é um circo para os órgãos de comunicação e não sei se consigo aguentar”, escreveu.

A juíza foi perentória na resposta: “Passar quatro ou cinco dias a ouvir o que elas têm para dizer agora é menor, considerando as horas de prazer que teve às custas delas, arruinando as vidas delas”.

Ao proferir a sentença, que, primeiro inicia-se com 40 anos de prisão sendo a pena gradualmente agravada até aos 175, para que não mais saia da prisão, a juíza disse-se “honrada” por poder condená-lo, conforme pode assistir no vídeo acima.

É uma honra condená-lo porque, senhor, você não merece andar fora de uma prisão nunca mais. Em qualquer lugar onde andar, vai haver destruição dos mais vulneráveis. Assinei a sua sentença de morte

O caso do Ministério Público assentou nos crimes cometidos contra Jordyn Wieber, medalha de ouro olímpica em Londres2012, as colegas na equipa Aly Raisman (pode ver depoimento abaixo), Gabby Douglas e McKayla Maroney, e três outras atletas. Mas várias outras atletas, entre as quais a quádrupla campeã olímpica de ginástica Simone Biles, vieram a público denunciar terem sido vítimas de abusos sexuais por parte de Nassar. Muitas delas eram menores de idade na altura dos crimes.

Nas redes sociais, a juíza tornou-se numa “heroína”, uma voz de peso no longo e penoso processo para deixar falar vítimas de violência de género, movimento para o qual esta sentença serve como um exemplo.

Fonte: NM/BA

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