Presidente discursa em Nova Iorque

0

O Presidente da República, João Lourenço, é o primeiro orador na sessão da tarde de amanhã da 74ª sessão Assembleia-Geral das Nações Unidas, que começa de manhã (tarde em Angola), em Nova Iorque, com as tradicionais intervenções do Brasil e do país-sede da ONU (Estados Unidos).

Hoje, líderes mundiais pediram acções concretas para salvar o Planeta de uma catástrofe ambiental de consequências imprevisíveis para a continuação da vida na Terra. Em nome dos 193 Estados-membros das Nações Unidas, o Secretário-Geral da organização mundial, António Guterres, afirmou que ainda não é demasiado tarde para atender ao que considera a emergência climática mundial, mas advertiu que o tempo está a esgotar-se.
“A emergência climática é uma corrida que estamos a perder, mas que ainda podemos ganhar. A crise climática é provocada por nós e as soluções devem vir de nós. Temos as ferramentas: a tecnologia está do nosso lado”, afirmou Guterres perante dezenas de líderes mundiais, entre os quais o Presidente João Lourenço, ao abrir a Cimeira da Acção Climática, que decorreu ontem na sede da ONU.
António Guterres frisou que a Cimeira não foi convocada para discursos nem negociações, mas para acção, com compromissos concretos. Contrariamente ao que se anunciou o Presidente norte-americano, Donald Trump, fez ontem uma aparição surpresa, de apenas uns minutos, para assistir à Cimeira da Acção Climática, mas não interveio.
À margem da Cimeira da Acção Climática, o Presidente da República, João Lourenço, mais nove chefes de Estado africanos, avaliaram hoje, em Nova Iorque, com a Chanceler Angela Markel a situação de paz, segurança e desenvolvimento nas regiões dos Grandes Lagos, do Sahel, do Corno e do Norte de África. O encontro, que decorreu na Missão Permanente da Alemanha junto das Nações Unidas, contou com as presenças dos Presidentes do Burkina Faso, Roch Marc Christian Kaboré, do Chade, Idriss Déby, do Níger, Mahamadou Issoufou, da Nigéria, Muhammadu Buhari, do Rwanda, Paul Kagame, do Mali, Ibrahim Boubacat Keita, do Ghana, Nana Akufo-Addo, da Mauritânia, Mohamed Ould Ghazouani, e da Chefe de Estado da Etiópia, Sahle-Work Zewde.
No domingo, o Chefe de Estado recebeu em audiência o presidente da Chevron Corporation, Mike Wirth.

Coragem do Presidente
O ministro das Relações Exteriores, Manuel Augusto, destacou, segunda-feira, em Nova Iorque, a coragem do Presidente da República, João Lourenço, de identificar os problemas estruturais do país e buscar as melhores soluções para os resolver.
Manuel Augusto falava a propósito das duas participações do Chefe de Estado em sessões da Assembleia-Geral das Nações Unidas nos dois primeiros anos como Presidente da República.
O Presidente João Lourenço participou ontem na Cimeira do Clima, em Nova Iorque, na qual estadistas do mundo inteiro apelaram à corrida contra o tempo para travar a subida da temperatura global.
O chefe da diplomacia angolana reconhece que as reformas levadas a cabo pelo Presidente da República criaram uma grande expectativa junto da sociedade civil, mas que é m dois, como é evidente, não foi possível realizar a vontade dos angolanos nos sectores da saúde, educação e outros.
De acordo com Manuel Augusto, o importante a reter, nestes dois anos de mandato do Presidente João Lourenço, é que se está “plantar para depois colher”. Aos angolanos, Manuel Augusto assegurou que o Governo para mostrar aos angolanos e ao mundo que Angola é um país aberto, onde as liberdades económicas e sociais são respeitadas.
“Estamos a plantar para depois colher”, numa clara manifestação de vontade do Governo construir uma sociedade plural e inclusiva.
Hoje, o ministro das Finanças, Archer Mangueira, reuniu no período da manhã com homens de negócios interessados em investir no país.

 Governo empenhado num país mais justo e transparente

O Presidente da República, João Lourenço, assegurou, hoje, em Nova Iorque, que está a realizar-se em Angola, com a participação de políticos, da sociedade civil, da população em geral e do Executivo, um esforço de mudança, por via do qual se pretende colocar o país, tão rapidamente quanto possível, no mesmo patamar em que se encontram as nações empenhadas em promover o progresso, o desenvolvimento e o bem-estar dos seus povos, através de boas práticas de governação.
João Lourenço, convidado a falar sobre as reformas em curso no país pelo Conselho de Relações Exteriores dos Estados Unidos, indicou que os resultados têm sido significativos.
Sublinhou que o Governo se vem preparando a cada dia para realizar os seus grandes interesses em articulação com os seus principais parceiros internacionais, de que fazem parte, na primeira linha, os EUA.
“Apesar dos grandes avanços verificados no relacionamento político-diplomático entre Angola e os EUA, achamos que continua a existir um défice de conhecimento da parte norte-americana em relação ao programa que o meu Governo tem vindo a realizar”, disse o Chefe de Estado.
O convite do Conselho de Relações Exteriores dos EUA é, pois, para João Lourenço “uma oportunidade soberana para colmatar esse défice e para falarmos sobre as medidas que estamos a adoptar para superar alguns vícios do passado e para empreender reformas que restituam à nossa população a esperança num futuro melhor”.
O Chefe de Estado anunciou que o programa de Governo, que mereceu há dois anos a aprovação da grande maioria dos eleitores, tem vindo a ser implementado com resultados positivos.
Para a mais fácil implementação desse programa, acrescentou, tem sido importante a colaboração construtiva de sectores públicos e privados e da sociedade civil angolana, que voltaram a acreditar que, através dele, os seus direitos e interesses podem ser defendidos e salvaguardados.
Estamos a implementar um conjunto de medidas que se inscrevem num Plano do Executivo sobre o desenvolvimento de Angola, que assenta em alguns eixos fundamentais como o desenvolvimento económico sustentável, a boa governação, a integração regional e internacional, o desenvolvimento das infraestruturas.
“ Para a sua concretização, torna-se necessário atrair investimento estrangeiro para a nossa economia, a fim de a diversificar, aumentar a nossa produção interna e assegurar assim o aumento das exportações de bens diversos”, reforçou.
O Presidente garantiu aos norte-americanos do Conselho de Relações Exteriores que o Governo angolano está a tomar medidas enérgicas para combater e inibir a corrupção, para que Angola melhore as suas práticas de governação, no âmbito das normas que vigoram nos Estados Democráticos e de Direito. Sublinhou que está também a trabalhar para implementar novas medidas de combate à lavagem de dinheiro e para recuperar activos que foram transferidos ilegalmente para países estrangeiros.
“Para levar o seu programa a bom porto, o Governo angolano sabe que não está sozinho. Contamos com a assistência técnica do FMI e do Banco Mundial, de quem beneficiamos também de financiamentos”, sublinhou.
João Lourenço indicou que nas reformas que está a realizar o Governo tem um forte apoio dos parceiros internacionais, como os Estados Unidos da América, que continuam a prestar um importante e vital contributo à economia nacional, particularmente o Tesouro americano na assistência ao Ministério das Finanças, Ministério do Interior, Banco Nacional de Angola e à Unidade de Informação Financeira ( UIF), em relação ao complience, combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento ao terrorismo.
João Lourenço admitiu que durante muito tempo o potencial de Angola ficou refém de uma economia centralizada, com um peso excessivo do sector público, tendo se iniciado um novo caminho em direcção à sua reestruturação e adequação aos modelos bem-sucedidos e capazes de garantir credibilidade, sustentabilidade, transparência e prosperidade, privilegiando o sector privado da economia.
“Duas das primeiras etapas desse caminho foram necessariamente o combate aos comportamentos nocivos à sociedade, o fortalecimento dos direitos e das liberdades fundamentais dos cidadãos, onde já se registam importantes conquistas”, garantiu.
O Chefe de Estado angolano destacou a prevenção e repressão dos crimes de corrupção e a reformulação do Código Penal de Angola, com vista a incluir um novo capítulo sobre crimes económicos e financeiros com punição mais severa por corrupção activa e passiva.
“A Justiça angolana tem estado a investigar, a processar e a condenar altos funcionários por corrupção e o Conselho de Ministros aprovou, recentemente, uma nova Lei de Combate à Lavagem de Dinheiro, elaborada em estreita colaboração com o FMI e que será aprovada pela Assembleia Nacional antes do final do corrente ano”, afirmou.
O Chefe de Estado explicou que as reformas que estão a ser implementadas têm por objectivo adequar Angola aos princípios sobre os quais se fundam o funcionamento dos Estados modernos para tornar a economia mais competitiva e atractiva ao investimento privado.
“Essas reformas difíceis, mas necessárias, estão a começar a diminuir o envolvimento do Estado na economia, a aumentar a transparência, a reduzir os riscos fiscais, a diversificar a economia, a gerar desenvolvimento liderado pelo sector privado, numa palavra, a melhorar o ambiente de negócios e investimentos no país”, afirmou.

Fonte: JA/BA

Share.

Deixar uma resposta