Prémio Carlos Magno é tributo perfeito aos muitos méritos de Guterres

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O rei de Espanha, Felipe VI, afirmou hoje que a atribuição do prémio internacional Carlos Magno ao secretário-geral da ONU “é o tributo perfeito aos muitos méritos de António Guterres”, que comparou aos navegadores portugueses da época dos Descobrimentos.

“Fico muito orgulhoso enquanto espanhol e amigo de Portugal, e também como europeu, que António Guterres receba este ano o Prémio Carlos Magno”, declarou Felipe VI, a quem coube proferir o discurso laudatório, numa cerimónia realizada no salão de coração da câmara de Aachen, a localidade alemã que foi outrora sede do império daquele que é considerado o “pai da Europa”.

Lembrando que se trata do primeiro português a receber o prestigiado prémio, que distingue personalidades que tenham contribuído para a unidade da Europa, Felipe VI não poupou elogios ao antigo primeiro-ministro português e, citando Fernando Pessoa — “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” -, o rei de Espanha afirmou que “a alma de António Guterres é imensa, assim como são a sua sabedoria, experiência e paixão com que defende os seus ideais”.

“Há mais de 1.200 anos, o sonho europeu começou aqui, em Aachen. Hoje, esse sonho mantém-se muito vivo, graças à visão e determinação de indivíduos excecionais com o calibre de António Guterres, um homem que combina a perspetiva europeia com a vocação internacional do seu país, Portugal, a quem também hoje prestamos tributo”, declarou.

O monarca espanhol disse então que, “tal como os seus compatriotas que navegaram pelos oceanos no início da era moderna” — à semelhança dos seus compatriotas espanhóis -, “António Guterres é um homem de horizontes largos e, tal como esses grandes exploradores, ele investe a sua considerável energia em cada empreendimento no qual embarca”.

“António Guterres é o homem que sabe como conciliar as suas profundas convicções éticas e sociais com o rigor científico dos seus antecedentes académicos”, disse, lembrando que o atual secretário-geral da ONU entrou na vida política muito jovem, “num momento decisivo da história” de Portugal, de transição da ditadura para a democracia.

Desde então, apontou, “o compromisso de António Guterres com a justiça e harmonia orientaram a sua carreira, como primeiro-ministro de Portugal, de 1995 a 2002, como presidente do Conselho Europeu em 2000 (durante a presidência portuguesa da UE), como Alto Comissário da ONU para os Refugiados, entre 2005 e 2015, e, desde janeiro de 2017, como secretário-geral da ONU”.

“Em cada um destes cargos, ele conduziu de forma consistente a sua ação política mantendo-se fiel a três princípios inalienáveis”: a solidariedade com os mais necessitados, a busca de uma união ainda mais próxima entre os povos e países da Europa, e o contributo de uma Europa unida para as causas justa da humanidade.

Considerando que o trabalho de Guterres e a sua eleição para o cargo de secretário-geral da ONU constituem um lembrete claro de que o sonho europeu não termina nas fronteiras da Europa, Felipe VI afirmou que “o exemplo de António Guterres mostra que não há contradição entre a construção de uma Europa mais unida e a busca de uma ordem internacional aberta, plural, mais justa e mais cooperante”.
António Guterres recebe hoje, em Aachen, o prestigiado prémio internacional, atribuído desde 1950 a personalidades que tenham contribuído para a unidade do continente europeu, e que no passado já distinguiu figuras como Winston Churchill, Robert Schuman, Jacques Delors, Bill Clinton, Jean-Claude Juncker, Angela Merkel e os papas Francisco e João Paulo II.

Na cerimónia de entrega do prémio participam também, entre outros, o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

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